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17 pessoas são indiciadas por avisar motoristas no WhatsApp sobre blitze

30 de dezembro de 2017
Motoristas que usam aplicativos de mensagens e redes sociais para avisar os locais de blitze de trânsito podem ser punidos com até cinco anos de cadeia.  

É o que pode acontecer com 17 moradores de Vacaria. O grupo foi indiciado na última semana de dezembro. A partir desse episódio, que flagrou e investigou os usuários de um grupo de WhatsApp, o chefe de Polícia, delegado Emerson Wendt, expediu orientação a todas as delegacias do Estado, para que também investiguem esse tipo de crime, com base no artigo 265 do Código Penal. 

A sanção é dada a quem atrapalhar a prestação do serviço, que é de utilidade pública.

— Vamos solicitar uma cópia da investigação e repassar a orientação a outros órgãos policiais do Estado — informou o delegado.

O caso da cidade serrana investigou usuários de um grupo de WhatsApp batizado de "Rádio Patrulha", criado para a troca de informações entre os condutores, especialmente os que transitam em vias urbanas da cidade e nas BRs 116 e 285. Em um dos áudios disparados no grupo, um motorista "adverte" para fiscalização da guarda de trânsito.

— Guarda Municipal atacando em frente do postão bem debaixo da ponte da ferrovia que vem. Fiquem esperto, estão atacando geral — avisou aos demais.

Com mandados de busca e apreensão, foram recolhidos cinco telefones celulares de administradores do grupo. Depois da ação policial, em setembro, muitos usuários deixaram o grupo. 

Mas outros seguiram na troca de mensagens. Um deles enviou novo áudio aos demais, logo após o cumprimento dos mandados:

—Tem de passar para os outros grupos: quem tem grupo que avisa blitz, que avisa onde está a polícia, quando responder, apagar as mensagens. Deu corrupio, sujou "as água" gurizada — alertou o motorista.

Detran criou estratégia para alternar locais de abordagem
Além do artigo que tipifica o crime de atentar contra um serviço público, no caso o trabalho das autoridades de trânsito, os motoristas também foram enquadrados por associação criminosa.

— O principal perigo são criminosos, assaltantes, traficantes utilizarem, participarem desses grupos, se desviarem de blitze e conseguirem assim fugir da ação policial — destaca o delegado Anderson Silveira de Lima, que conduziu a investigação em Vacaria.

Para minimizar os efeitos desse tipo de postura, os policiais e agentes de fiscalização estão alternando os locais de blitze. A mudança de endereço acontece assim que as mensagens são percebidas nas redes sociais.

— Quando eles divulgam o local, já estamos em outro ponto. Aí tem um efeito positivo porque demora para constar nos aplicativos — explicou Eron Lupato, coordenador das equipes do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RS).

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