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A incerteza das famílias que vivem à beira dos trilhos

12 de junho de 2021

Crianças brincam em meio a móveis usados e lixo acumulado: o problema da falta de manutenção e cuidado com a malha ferroviária, agravado pela possibilidade de retirada das famílias e suas residências. 

A malha ferroviária brasileira tem 29.200 quilômetros. Destes, alguns abrigam residências de pessoas que nem recordam quando a família começou a morar à beira-trilho, já que várias gerações passaram pelo mesmo lugar. Em Ijuí, os trilhos passam por onze bairros. Recentemente, a empresa responsável pela gerência da malha ferroviária, pediu na justiça a retirada das residências com distância inferior ou igual a 15m dos trilhos.

Não há um levantamento oficial do município, com o quantitativo exato de moradias à beira-trilho, o que motivou solicitação da Comissão Especial de Habitação, criada em maio, e presidida pelo Vereador Beto Noronha (PT). “O primeiro assunto debatido na comissão foi  justamente a problemática de não se ter um cadastro destas famílias. Precisamos saber quantas são, quais os casos mais críticos, quem poderá ser retirado das suas casas”, disse em entrevista à RPI.

O Vereador explicou que através do cadastro, a Secretaria de Habitação pode se adiantar e pensar em soluções para as famílias que podem, futuramente, terem que deixar suas casas.  A problemática vai muito além da argumentação de que as pessoas adquiriram as residências sabendo que se tratava de uma área irregular. Alguns moradores estão no local desde que nasceram. É o caso do Rosalvo de Lima Leão. Ele diz que ainda que haja determinação para que saia, não pretende deixar sua casa. “Eu não vou sair. Querem que faça o que? Tenho três filhos. Vou para onde?”, questiona.

A empresa responsável pela gerência dos trilhos, que pede a retirada das famílias, é também encarregada de realizar manutenção da malha ferroviária. A reportagem da RPI esteve visitando o local e a situação é notória: não há manutenção. Os dormentes (peças colocadas transversalmente à via férrea e sobre as quais os carris ou trilhos assentam e são fixos), estão deteriorados e há muito lixo ao redor. 

As famílias que moram próximo aos trilhos foram acionadas judicialmente e, desde então, já participaram de algumas reuniões. A Unijuí também participa deste processo, afim de auxiliar os moradores. Não houve, no entanto, indicativo de auxílio por parte da empresa aos moradores que poderão ter que sair do local. 

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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