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Animais silvestres atacam criação de suínos de produtora rural

6 de fevereiro de 2020
À esquerda imagem da câmera de segurança da propriedade. À direita ilustração/internet.

Imagens de uma câmera de videomonitoramento em que a reportagem da Rádio Progresso teve acesso, mostram a movimentação de dois animais – um pardo e outro escuro – dentro de um chiqueiro de uma propriedade rural, em Boa Vista do Buricá.

Entretanto, a câmera somente foi instalada depois de alguns suínos, em especiais as fêmeas, prestes a parir, apresentarem lesões e serem encontradas mortas. O primeiro caso foi registrado no dia 3 de dezembro de 2019.

De acordo com a médica veterinária e produtora rural, Luiza Veit, os animais vistos nas imagens parecem ser dois pumas (também conhecidos por Leão Baio), que atacam o chiqueiro a noite. O prejuízo estimado da  família, após o acontecimento, é de R$ 50 mil.

Luíza entrou em contato com o Instituto Brasileiros de Meio Ambiente (Ibama) de Santa Maria na semana passada e encaminhou as imagens ao órgão. Através dos vídeos, os agentes não identificaram qual animal poderia estar cometendo os ataques e foram até a propriedade fiscalizar.

De acordo com o analista ambiental do Ibama, Heitor de Souza Peretti, não há provas conclusivas sobre a espécie do animal e, devido a diversos fatores, não é possível identificar qual animal aparece nas imagens: “1) As lesões que as porcas apresentam não são consistentes com as lesões que um puma infringe nas presas. 2) Pumas somente atacam quando não tem disponível seu suprimento natural, sendo que se alimentam de animais  pequenos. 3) Não foi percebida a falta de algum leitão recém nascido, sendo que todos estavam ao lado da mãe e as lesões ocorreram somente na matriz”.

O analista também procurou vestígios como pegadas, pelos ou fezes que pudessem comprovar a existência do animal no local, mas não encontrou.

O Ibama ainda recomendou que adequações sejam realizadas na propriedade, como a instalação de cercas, câmeras na altura adequada e de um sistema de contenção eficaz, capaz de impedir a entrada de qualquer animal no local.  No entanto, a veterinária afirma que isso custaria em torno de R$ 30 mil.

Outra curiosidade é de que, na mesma propriedade, um cervo convive em meio ao gado há aproximadamente dois anos. O animal exótico foi identificado pelo Ibama como sendo da espécie AXIS axis, nativo de países da Ásia e que foi introduzido no Brasil. “A existência desse cervo no local também nos faz pensar de que não haja pumas no local, porque se existisse, já teriam atacado o cervo”, diz o analista ambiental.

Segundo Pereti, o cervo AXIS axis é um dos maiores invasores do mundo e é obrigação dos órgãos ambientais interferir no destino dele. O profissional afirma que um relatório será apresentado a superintendência do Ibama Estadual, que deverá definir se o animal será destinado a um zoológico, a criadores conservacionistas ou, em últimos casos, abatido.

Quanto aos ataques contra os suínos, o analista conclui que os proprietários precisam realizar as adequações no local para evitar a entrada de animais no chiqueiro.  “Qualquer animal carnívoro pode entrar no local”. Se estas atitudes forem tomadas e o problema permanecer, somente a partir daí o Ibama poderá interferir.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí.
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