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“A Covid não levou só as pessoas, mas a possibilidade da despedida”, diz Enfermeira chefe da UTI Covid do HCI

19 de janeiro de 2022

Há quase dois anos, a Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) destinada ao atendimento exclusivo de pacientes acometidos pela Covid-19, é palco de histórias de lutas, no Hospital de Caridade de Ijuí. Em 2020, quando os primeiros casos foram registrados no país, havia muita incerteza e a população, temendo o vírus, imaginava que uma internação na UTI poderia ser irreversível. 

Desde os primeiros registros de casos no município, uma equipe exclusiva para atender os quadros mais graves da doença, foi montada no HCI. Sob coordenação da enfermeira Andréia Heidmann, os profissionais passaram a dividir a mesma luta: manter os pacientes estáveis e evitar que os sintomas evoluíssem para quadros mais graves. 

Em entrevista à Rádio Progresso, Andréia falou sobre os desafios enfrentados neste período. “Desde o começo da pandemia, não imaginávamos que passaríamos por algumas situações, que exigiram muito da equipe. Conseguimos porque sempre trabalhamos juntos, com ajuda mútua e muita união”, disse. 

A enfermeira explicou ainda que, através do trabalho desenvolvido por equipes multidisciplinares, o objetivo final é alcançado. “O trabalho de um profissional da UTI é sempre muito intenso. É preciso estar muito atento para manter o paciente estável e evitar que o quadro evolua. É sempre uma situação complicada, em que o quadro pode evoluir para melhor ou para pior”, pontuou. 

Todas as histórias marcaram, de alguma forma, a vida dos profissionais. Para Andréia, no entanto, uma é especialmente marcante: uma gestante não resistiu às complicações da doença, mas seu filho foi salvo a tempo pelos profissionais. “Uma situação foi muito marcante. Uma gestante internou e foi necessário o parto de emergência. Felizmente o bebê está bem e sendo cuidado pela família, mas ficamos muito tristes pela perda, especialmente por ser alguém jovem”, relatou.

Lidar com as perdas foi um dos principais desafios da equipe que, apesar de treinada e contar com suporte psicológico, viu muitas pessoas perder a luta para o coronavírus. “Felizmente conseguimos manter a saúde mental, apesar de todos os desafios. Sempre fizemos o possível e não queríamos perder nenhum paciente. A perda é muito difícil e vivemos cada uma delas de maneira muito intensa”, ressaltou. 

Para a enfermeira, um dos principais desafios impostos pela pandemia é que, além de ceifar vidas, o vírus impede também a despedida. “Eu sempre falo que a Covid roubou, além de vidas, a cultura da despedida, os velórios, o tempo que os familiares tinham para o último adeus. Muitas vezes, o último contato com o paciente, foi na UTI mesmo”.

Para enfrentar todas estas situações e as que ainda devem surgir, a equipe da UTI Covid do Hospital de Caridade de Ijuí aposta na união e profissionalismo. “Trabalhamos juntos e muito unidos. É assim que conseguimos desenvolver um bom trabalho, sem comprometer a sanidade mental”, finalizou a gestora. 

Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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