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Anéis de latinha realmente se transformam em cadeiras de rodas?

18 de janeiro de 2018
Você já deve ter ouvido que os anéis de latinhas de refrigerante, cerveja e cia. podem ser trocados por cadeira de rodas. Esse papo existe há décadas. Mas será que é verdade? 

Sim, foi graças a uma ação como essa que Gabriel Lima de Azevedo, de 13 anos, ganhou uma nova cadeira sob medida, bem mais leve do que a anterior.

O garoto precisa da cadeira para se locomover desde os dois anos de idade e a última que usava era muito pequena para seu tamanho. “Estava difícil andar com ela, ficava com dores nas costas. Ganhei a cadeira nova há um mês. Agora, consigo andar sozinho com ela, subir a quina da rua e não tenho mais dores”, conta.

“Nós coletamos os lacres e deixamos eles com uma cooperativa que, por sua vez, vende para uma empresa que reaproveita o alumínio. Eles pesam todo o produto e transferem o dinheiro para comprarmos as cadeiras”, explica Elaine Lemos, diretora da ONG.

Elaine explica que há entidades que reúnem os lacres e trocam por cadeira de rodas de ferro –como as encontradas em hospitais, igrejas e prédios comerciais. A diferença é que o instituto foca em doar cadeiras sob medida para os pequenos.

“Essas cadeiras [de ferro] não são adequadas para crianças. A que doamos possibilita que ela equilibre melhor tronco, é leve e facilita a mobilidade. A criança consegue dançar, correr e participar de aulas de educação física”, exemplifica.

Espera por cadeira prejudica o desenvolvimento
Segundo o IBGE, mais de 120 mil crianças brasileiras precisam de uma cadeira de rodas para se locomover. E a fila de espera  no SUS varia de dois a cinco anos, segundo o Instituto Mara Gabrilli.

Elaine afirma que isso é muito prejudicial para o processo de desenvolvimento e amadurecimento neurológico das crianças, sem contar que reduz bastante a qualidade de vida. “Ficar muito tempo em uma cadeira inadequada é um retrocesso. A criança precisa descobrir o potencial do seu corpo”, ressalta.

A cadeira sob medida do Instituto Entre Rodas é destinada para crianças inscritas na ONG, que tenham de cinco a 14 anos de idade e estejam regularmente matriculadas na escola. Elas, inclusive, escolhem a cor da cadeira que recebem. 

O produto tem o custo de R$ 5.400, mas o fabricante subsidia metade do valor. Ou seja, a ONG ainda precisa arrecadar R$ 2.700.

Elaine explica que há duas maneiras para conseguir o dinheiro: por meio da venda dos lacres ou de um financiamento coletivo. A ONG aderiu a esse segundo método pois muitos anéis de latinhas são necessários para alcançar o valor.

“Preciso de 800 kg para conseguir pagar a metade da cadeira. Esse peso equivale a 3 milhões e duzentos mil lacres. Por isso, as pessoas precisam se conscientizar de doar. Cada hora que você abre uma latinha, uma criança pode ganhar uma cadeira. Sem contar que o descarte correto também ajuda o meio ambiente”, fala.

De acordo com Elaine, a ONG adoraria ficar com a lata, que é mais pesada, no entanto, além de ter problemas de armazenamento e logística por conta do tamanho da lata, eles também mexeriam na cadeira produtiva dos catadores, que são a fonte de renda de muitas famílias.

Ficou interessado em doar? Procure um dos pontos de coleta de lacres no site da ONG.

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