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MANCHETES

Após terem os salários roubados, recicladores de Caxias pedem socorro

13 de fevereiro de 2018
Dezessete cooperados da Associação de Recicladores Monte Carmelo, na zona sul de Caxias, passaram o Carnaval desesperados: na última sexta-feira (9), eles tiveram os salários roubados em um assalto. Agora, dependem de doações para sobreviver durante o próximo mês.

Conforme o presidente da entidade, Sérgio Lopes, dois homens armados renderam o tesoureiro da associação quando ele chegava para entregar o pagamento destinado aos trabalhadores, por volta das 15h30min da sexta. Foram levados cerca de R$ 18 mil, que seriam divididos entre todos os associados. O valor era referente ao trabalho realizado em janeiro.

— Tem gente que tem crianças para sustentar e não vai ter nem alimento — lamenta Lopes.

A associação não trabalha nesta quarta-feira (14), mas, a partir de quinta (15), os interessados em ajudar podem deixar donativos diretamente no local (saiba como abaixo). 

Partilhado entre os 17 recicladores, o dinheiro renderia um salário de pouco mais de R$ 1 mil para cada um. De acordo com a vice-presidente da associação, Miriam Reis da Silva, o mês de janeiro havia sido um dos mais lucrativos para os cooperados.

— Era o mês em que mais íamos ganhar, tem vezes que tiramos cerca de R$ 700. Eu estava muito feliz, isso me entristeceu muito — relata.

Miriam diz que a Associação de Recicladores Monte Carmelo é composta majoritariamente por mulheres, quatro delas mães solteiras. Ou seja, a atividade é a única fonte de renda para várias famílias. 

— Nós estamos lá selecionando o lixo, separando da cidade inteira, para tentar ter uma vida digna e vem alguém e rouba de gente pobre — desabafa a vice-presidente.

O Pioneiro esteve no bairro Esplanada nesta terça-feira (13) para conversar com alguns recicladores da associação. Lá, o clima geral era de indignação e incerteza: Jucemara Tomaz, 45, trabalha na entidade há sete anos e evita pensar sobre o que aconteceu. 

— É a primeira vez que passo por isso. Eu já sou avó, mas sou eu quem bota comida dentro de casa. Não sei o que vou fazer.

O baque de saber que teria de passar os próximos 30 dias sem renda foi tão grande que Patrícia de Souza da Luz, 28, teve de buscar atendimento no Pronto-Atendimento 24 Horas (Postão). A recicladora depende do salário para sustentar, sozinha, os três filhos. 

O mês de janeiro foi o primeiro de Douglas William Gonçalves, 19, na associação. A atividade de reciclador foi a oportunidade que ele encontrou para sair do desemprego e ajudar a manter o filho Taylor, de apenas três meses. Sem o salário, a família terá que achar outro jeito para passar o mês de fevereiro. 

Durante seu relato, a vice-presidente Miriam da Silva se esforça para deixar claro que pedir ajuda é difícil, mas é a única alternativa dos recicladores no momento. 

— Nós não temos patrão para nos reembolsar, não temos como recuperar o dinheiro. A associação somos nós, os 17 recicladores. Tudo o que vem, nós dividimos — explica. 

Criminosos estariam aguardando nas redondezas

A volta ao trabalho, na quinta, não será tranquila. O assalto aconteceu quase em frente à associação, quando o tesoureiro descia do transporte coletivo. De acordo com relatos dos recicladores, os criminosos aguardavam pelas redondezas desde o início da tarde. Como o pagamento é feito sempre no dia 9 de cada mês, eles suspeitam que os autores do crime sabiam que o dinheiro ia chegar.

— Agora só queremos que a polícia investigue e encontre um culpado para, quem sabe, recuperar parte do valor — reforça Miriam. 

A Associação de Recicladores Monte Carmelo é uma das 13 entidades conveniadas com a prefeitura de Caxias do Sul. Após a coleta seletiva, a Codeca distribui os resíduos entre os locais. Ali, os associados separam os materiais e revendem para a indústria para que possam ser reaproveitados.

SAIBA COMO AJUDAR
:: Mais informações podem ser obtidas com a vice-presidente da associação, Miriam da Silva, pelo telefone (54) 99699-0295. Também é possível combinar um horário alternativo para a entrega das doações.

:: A torcida organizada do Grêmio Garra Tricolor também começou uma campanha para ajudar os recicladores. Os integrantes da entidade se dispõem a buscar os donativos de quem quiser contribuir e entregar na associação. É só entrar em contato com Alexandre Andrade, membro da diretoria da torcida, pelo telefone (54) 98170-5570.

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