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Artesanato Kaingang recebe estímulo da Anater e do Programa Fomento

26 de outubro de 2018

O artesanato Kaingang começa a ganhar impulso na Terra Indígena Inhacorá, no município de São Valério do Sul, na região Noroeste do Estado. Na quinta e sexta-feira (25 e 26/10), os Kaingang participaram de uma capacitação sobre o tema, promovida pela Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater) e Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais, do Governo Federal. A atividade foi articulada pela Emater/RS-Ascar, executora das ações da Anater e do Programa Fomento. 

“A partir do diálogo com estas famílias, foi feito um diagnóstico e se percebeu, como um tema pulsante, a questão do artesanato. Isso porque, a maioria das famílias Kaingang tem a renda proveniente desta atividade”, disse a antropóloga da Emater/RS-Ascar e coordenadora estadual do Projeto da Anater, Mariana Soares. 

Também se envolveram na ação, lideranças dos Kaingang, prefeitura de São Valério do Sul, Fundação Nacional do Índio (Funai), Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS) e Centro de Referência de Assistência Social (CRAS). O artesanato, para essas entidades, pode ser eficaz na erradicação da extrema pobreza, quando a renda mensal da pessoa não passa dos R$ 89,00.

Potencial

A design de produto, Fernanda Sklovscky, convidada a participar da capacitação, enxergou valor na originalidade do artesanato Kaingang. 

“Muito importante que se possa ajuda-los a entender o valor que eles têm na mão, o potencial é gigantesco”, disse ela.

O valor que o mercado dá ao artesanato indígena seria atribuído, principalmente, à estética – trama, cor, matéria prima, geometria-, e, sobretudo, à história por trás de cada peça feita à mão. 

“O mercado tem uma ótima aceitação, a iconografia (desenho) indígena é um sucesso”, disse a design.

Dentre as muitas possibilidades, a técnica da serigrafia seria bem-vinda, é barata, simples de fazer e multiplicaria, em escala, desenhos dos Kaingang, em camisetas, almofadas, sapatos, entre outros produtos do agrado do consumidor urbano.

Internet

Sem fronteira, até o fim de dezembro, a prefeitura de São Valério do Sul trabalha para disponibilizar, em plataforma gratuita, um catálogo com diversos produtos feitos por artesãos da Associação da Terra Indígena do Inhacorá. Para tanto, nos próximos dias, devem ser selecionadas e fotografadas todas as peças de artesanato que estarão à venda e, para cada uma delas, conteúdo sobre sua história. Sobre o mercado consumidor, no entanto, ainda há dúvida se os produtos indígenas estarão à venda na internet para consumidores do Brasil ou para os da Europa.

Carteira de artesão

A atividade de dois dias resultou na confecção da carteira de artesão para 92 indígenas.

“Vai dar mais segurança e acesso ao comércio”, disse o vice-cacique, Carlos Camargo. 

E não somente o indígena, mas o município também ganha com isso.

“No momento em que o indígena emitir a nota fiscal do seu artesanato ele estará beneficiando o seu município, que marca pontos no retorno do ICMS”, disse a coordenadora estadual de Artesanato Rural da Emater/RS-Ascar, Ivanir Argenta.

Os cadastros preenchidos durante a capacitação na Terra Indígena Inhacorá serão enviados à FGTAS. A carteira de artesão deverá chegar à região nos próximos 45 dias, segundo informou a funcionária da Fundação, Tânia dos Santos.

“É o pontapé inicial”, resumiu a coordenadora regional do Programa Fomento, Isabel Robaert de Souza.

Anater e Fomento

Até 2020, o projeto da Anater, deverá levar Assistência Técnica e Extensão Rural Social (ATERS) a indígenas, quilombolas e pescadores artesanais, irá beneficiar 1.500 famílias em situação de extrema pobreza no Rio Grande do Sul. Os recursos provêm da Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário (SEAD). Na Terra Indígena Inhacorá, 85 famílias Kaingang estão sendo atendidas pelo Projeto da Anater, de acordo com o extensionista da Emater/RS-Ascar, Lediomar Machado.

Com o fomento de R$ 2.400,00, o beneficiário executa seu Projeto Produtivo tendo orientação técnica da Emater/RS-Ascar. O recurso do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais é transferido por meio do cartão do Programa Bolsa Família.

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Fonte: Emater

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