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Bilionário se muda para Roraima e ajuda venezuelanos que chegam ao Brasil

22 de maio de 2019
Bilionário Carlos Wizard em abrigo para refugiados venezuelanos em Roraima — Foto: Arquivo pessoal

O bilionário Calos Wizard Martins, de 62 anos, realiza, há nove meses, uma ação humanitária. Missionário mórmon da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, que frequenta desde a juventude, ele foi designado junto com a esposa, Vânia Martins, 60, a participar de ação humanitária no estado. Mudou-se em agosto passado e se divide entre constantes viagens a São Paulo, para cuidar dos negócios pessoais, e Brasília, onde dialoga com o governo federal sobre a migração venezuelana.

O principal trabalho que faz em Roraima é relacionado à interiorização de venezuelanos. Ele encabeça um grupo de voluntários que atua na transferência de imigrantes recém-chegados a outras partes do país e também articula empregos nas cidades de destino. Desde abril de 2018, seu grupo já levou 25% do total de venezuelanos interiorizados pela operação Acolhida, criada em fevereiro de 2018 para lidar com o fluxo migratório de venezuelanos em Roraima.

As viagens são feitas em voos comerciais a custo zero desde o ano passado, graças a um acordo que ele próprio costurou com as companhias Latam, Azul e Gol que prevê uso de assentos desocupados. No mês passado, 525 venezuelanos viajaram dessa forma. “Diariamente levamos as pessoas ao aeroporto. Temos uma equipe de apoio e às vezes levamos pessoas até no meu carro”, explica o bilionário, que já visitou 45 países, mas nunca esteve na Venezuela e pela primeira vez atua diretamente no acolhimento de refugiados.

“Minha rotina é simples. Nós recebemos as famílias, cadastramos, identificamos pessoas em outras partes do país que possam acolhê-las, trabalhamos com as empresas aéreas e acompanhamos essas famílias até o aeroporto. Enquanto a família não chega lá no seu destino, a gente se preocupa com ela.”

Ele explica que o objetivo do trabalho que lidera é mais do que assistencialismo ou tutela e quer ampliá-lo com ajuda de mais empresários e líderes religiosos do Brasil. Na semana passada, se reuniu com a ministra Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, para dialogar sobre a criação de um comitê inter-religioso de acolhimento aos refugiados.

“De nada adianta eu tirar um imigrante da rua aqui em Roraima e deixá-lo na rua em São Paulo. Eu não vou resolver o problema dele dessa forma. Então, felizmente, temos conseguido, dentro de 30 a 60 dias que eles chegam aos locais, que consigam trabalho com carteira assinada e todos os benefícios de um trabalhador”, afirma Wizard.

Bilionário Carlos Wizard (de paletó) acolhe venezuelanos recém-chegados ao Brasil — Foto: Emily Costa/G1 RR

Ele explica que os imigrantes não saem de Roraima com emprego garantido, mas chegam às diversas cidades e são encaminhados ao mercado de trabalho com o apoio da comunidade local da igreja. Entre os que já foram levados, há quem conseguiu trabalho como mecânico, técnico em refrigeração, professor de espanhol e marceneiro. Alguns trabalham até mesmo nas empresas de Wizard.

“Não queremos enviar alguém para ficar dependente. Todo nosso trabalho está baseado na autossuficiência. Nós queremos dar condições para as pessoas caminharem com suas próprias pernas.”

Apenas pelo projeto encabeçado pelo empresário, já foram 2.443 pessoas encaminhadas para estados como Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, segundo o coronel Alexandre Carvalhaes, chefe da Interiorização da Força Tarefa Logística Humanitária, que executa a operação Acolhida.

Fora as interiorizações organizadas pelo bilionário, outras 7.304 pessoas foram levadas a outros estados, inclusive em voos da Força Aére Brasileira (FAB), que começaram a transportar venezuelanos a outras partes do Brasil também a partir de abril.

Conforme a Organização das Nações Unidas (ONU), desde 2015 cerca de 3,7 milhões de pessoas deixaram a Venezuela e merecem proteção como refugiados em decorrência da crise política, econômica e social do país, que enfrenta inflação alta e desabastecimento. O Brasil é o sexto país que mais recebe os venezuelanos.

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Fonte: G1

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