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BOATE KISS: Ijuiense que sobreviveu à tragédia relembra momentos de luta pela sobrevivência

1 de dezembro de 2021

A banda Pimenta e Seus Comparsas almejou durante muito tempo uma apresentação na Boate Kiss, em Santa Maria, tradicionalmente conhecida por ser destino de jovens, especialmente universitários, que lotavam a boate para aproveitar e se divertir. No dia 27 de janeiro de 2013, a meta da banda era alcançada e os músicos subiram ao palco da Kiss, por volta da 1h, antecedendo o show principal, da banda Gurizada Fandangueira. 

Aquele seria o último show do baterista Marcos André Rigoli e do baixista Robson Van Der Ham e um renascimento para Valterson Wotrich e Lucas Prauchner, integrantes da banda que sobreviveram à tragédia. Em entrevista à Rádio Progresso, Pimenta falou sobre os momentos de tensão e luta pela sobrevivência e também da tristeza ao descobrir que os amigos e companheiros de banda, haviam morrido.   

Pimenta conta que terminado o show, os quatro integrantes foram para o camarim, no segundo andar da casa noturna, junto ao DJ que era a pessoa responsável pelo som da boate. Ficaram aguardando o show da Gurizada Fandangueira acabar para retirar o equipamento do palco. Na quinta música do grupo, o som simplesmente parou.

“Imagino que tenha sido um silêncio de dois minutos. Não tínhamos contato visual com o palco e achamos que era uma parada normal. O DJ desconfiou que o som já estava há muito tempo parado e quando ele estava se preparando para descer um garçom subiu as escadas pedindo um extintor de incêndio, dizendo que o palco estava pegando fogo. Desci para ver o que estava acontecendo, voltei e pensei em ficar no camarim. Quando estava subindo as escadas novamente algo me fez tomar a decisão de tentar sair da boate. Peguei a chave do carro, uma água para jogar no rosto caso não me sentisse bem e disse para todos que a gente precisava sair rápido dali”, lembra Pimenta.

No primeiro contato que teve com o térreo, o músico viu um cenário de completo desespero. “Caiu uma cortina preta de fumaça, onde não se tinha visão de absolutamente nada. O caminho era como um labirinto e o número de pessoas que tentava sair era absurdo. Esse caminho dava para uma espécie de ‘lobby’, onde as pessoas se espremiam ainda mais. Parecia uma praça de guerra. Muitas pessoas já tinham perdido o sentido. Realmente a gente só conseguiu ver todas as armadilhas que a boate tinha após a tragédia”, recorda.

Quando finalmente conseguiu sair da Kiss, o vocalista começou a procurar pelos três amigos. O ponto de encontro padrão da banda era o carro, mas não havia ninguém no local. Pimenta voltou para a frente da casa noturna para continuar a procura e localizou o guitarrista Lucas Praucher.

“Tivemos sorte de sair vivos. Era como loteria. No começo, não se tinha noção da dimensão da tragédia. Para mim a ficha começou a cair quando uma menina foi colocada deitada na rampa do estacionamento. Um rapaz colocou uma camiseta no rosto dela. Foi quando percebi que havia óbitos. Os corpos começaram a ser colocados do lado da menina, um a um. Foi neste momento que saímos para tentar encontrar nossos amigos. Após várias tentativas, fui instruído por um bombeiro a procurar nos hospitais”, conta Pimenta.

Somente à tarde, por volta das 17h daquele domingo, os dois receberam a notícia que os outros dois integrantes haviam sido identificados entre as vítimas no ginásio municipal, onde se concentrava a maioria dos corpos. Marcos era casado, mas não tinha filhos. Robson também era casado e tinha uma filha de sete meses.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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