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Brasil vai liberar trigo russo, desde que cereal seja processado nos portos

6 de dezembro de 2017
O Ministério da Agricultura deverá emitir na sexta-feira uma instrução normativa permitindo a importação de trigo russo, desde que cumprindo certos requisitos, em sinalização de que o Brasil passará a adotar uma posição mais firme nas negociações internacionais de produtos agrícolas.

De acordo com o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, as importações serão liberadas com a condição de que o trigo seja totalmente beneficiado ainda nos portos, evitando-se assim a propagação de eventuais pragas ou doenças país afora, semelhante ao que a Rússia faz com a soja brasileira.

“Daremos o mesmo tratamento. O trigo terá de receber a inspeção fitossanitária, ser beneficiado e trabalhado nos portos, para não circular pelo país. Será um tratamento recíproco”, disse ele nesta quarta-feira a jornalistas após participar de evento em São Paulo.

Os terminais com moinhos próximos e que poderão receber o trigo russo ainda estão sendo escolhidos pela pasta.

As discussões acerca da instrução normativa ocorrem após análises para se isentar de tarifa uma cota de 750 mil toneladas do cereal produzido fora do Mercosul, algo que beneficiaria os Estados Unidos e a Rússia, grandes exportadores mundiais. Essas conversas foram suspensas e podem ser retomadas em 2018.

O Brasil é um importador líquido de trigo. A produção brasileira em 2017 foi estimada pelo governo em menos de 5 milhões de toneladas, ante um recorde de 6,7 milhões de toneladas em 2016, o que desestimulou o plantio neste ano em meio a preços mais baixos.

De qualquer maneira, a liberação do trigo russo pode ser um passo importante para que aquele mercado retire as barreiras à carne brasileira, disse Maggi, acrescentando que está em conversas tanto com Moscou quanto com Washington –os EUA suspenderam as compras de carne bovina do Brasil em junho.

 

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