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Brasileiros estão minimizando risco, afirma diretora da Organização Mundial da Saúde

18 de março de 2020

A pandemia do novo coronavírus obrigou a médica curitibana Mariângela Simão, 64, a traçar estratégias de combate à crise de sua casa, em Genebra (Suíça).

Diretora-assistente da OMS (Organização Mundial da Saúde) para a área de medicamentos e produtos de saúde, ela e colegas da cúpula da entidade não foram poupados de ter de trabalhar a distância, conforme orientação das autoridades locais.

“É irreal pensar que [a crise] vai acabar logo”, disse ela à Folha, enquanto se preparava para participar de uma teleconferência com 50 pessoas nesta terça-feira (17).

Ex-integrante do programa da ONU para a Aids, ela está desde 2017 na cúpula da OMS. É hoje a brasileira mais graduada no esforço internacional de combate à Covid-19.

Simão concorda com a estratégia de isolamento adotada por diversos países, elogia a ação da China na crise e alerta, após ver fotos de praias lotadas no Rio de Janeiro, que o brasileiro deveria levar mais a sério a pandemia.

Como a sra. tem visto o combate à doença no Brasil?
Não pode minimizar. Eu tenho visto muito nas redes sociais, no Brasil, pessoas minimizarem o risco. Tenho visto um pouco de descaso no sentido de que só afeta pessoas acima de 65 anos. Não é verdade. O Brasil tem um Sistema Único de Saúde com estrutura de vigilância epidemiológica razoavelmente eficiente. Tem uma espinha dorsal para enfrentar uma situação mais grave.

O Ministério da Saúde fez recomendações que estão absolutamente alinhadas com o que a OMS preconiza. Os indivíduos que não seguem as recomendações é outra história. Vi essas fotografias do pessoal todo na praia, as pessoas não estão levando a sério essas recomendações.

Aqui na Suíça, se você vai na farmácia, tem marcas no chão para você ficar a 1,5 m de distância da pessoa na frente. Tem que levar a sério, não é brincadeira. Não é só uma questão sua, de você ter risco ou não de morrer ou ficar doente. É transmissão comunitária. Você ficando doente tem risco de infectar mais pessoas.

E o comportamento do presidente Bolsonaro, como a sra. viu?
Essa é uma questão interna do Brasil. Como as pessoas adotam as recomendações é uma questão individual.

Quanto tempo até a pandemia se estabilizar e começar a declinar?
Está muito no imponderável ainda. Na China, os casos começaram a diminuir depois de três meses, mas tendo em conta que a China fez um esforço massivo de contenção. É muito cedo, mas ela [a doença] ficará por algum tempo. É irreal pensar que vai acabar logo.

Qual a perspectiva de uma vacina?
Há 20 candidatos a vacina em desenvolvimento. Mas vacina você não começa a desenvolver hoje e amanhã ela está no mercado. Uma vacina tem de ser testada, depois tem que ser segura e tem que ser acessível, com preços que os países não vão à falência para comprar. Não vamos ter antes de um ano.

E novos medicamentos?
Tem uns 200 em pesquisa. Tem um que foi desenvolvido para o ebola, o Remdesivir, e estão sendo feitos estudos para determinar se funciona, se é seguro. Há medicamentos antirretrovirais que estão sendo testados e também remédios mais antigos de malária. Deve-se ter algum resultado nos próximos meses.

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Fonte: Folha de São Paulo. https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2020/03/brasileiros-estao-minimizando-risco-afirma-diretora-da-oms.shtml

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