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Candidato à reeleição pelo MDB, Sartori defende adesão ao regime de recuperação fiscal para equilibrar as contas públicas

27 de agosto de 2018
José Ivo Sartori tenta ser o primeiro governador a ser reeleito no Rio Grande do Sul

Ainda ocupando o cargo de governador do Estado, José Ivo Sartori, candidato à reeleição pelo MDB, se desdobra para atender às demandas do Executivo e também da campanha. Enquanto não dá expediente no Palácio Piratini, Sartori prepara sua campanha em um hotel no centro da capital, buscando algo inédito no Rio Grande do Sul: um governador ser reeleito. Em seu horário de almoço, o candidato recebeu a reportagem da Rádio Progresso para expor seus planos para os próximos 4 anos. Confira abaixo a entrevista. O áudio na íntegra está ao final do texto.

RPI: Quais medidas em andamento, o senhor acredita que não podem ser interrompidas, caso vença ou não as eleições?
José Ivo Sartori: O nosso papel é continuar fortalecendo a semente que foi plantada desde o começo do nosso governo, produzindo transparência e verdade a situação financeira do Rio Grande do Sul. É bem verdade que nós fizemos algumas conquistas já. Primeiro cuidando da própria casa, arrumando a própria casa, diminuindo secretarias, cortando cargos de confiança (CCs), cuidando até de coisas mínimas, mas é isso que redundou segurar 1 bilhão por mês. Nós assumimos o governo do Estado com a previsão de um déficit de 25,5 bilhões até o final deste ano e nós vamos chegar a 8 (bilhões). Sinal que alguma coisa foi feita. Nenhum estado brasileiro fez o dever de casa como nós fizemos. Então, eu diria que é continuar plantando sementes de transformação e de mudança da estrutura do Rio Grande do Sul. Por outro a gente sabe que a receita e despesa, a mais de 40 anos, apenas sete vezes nós tivemos a receita igual ou superior a despesa. A depesa sempre foi maior. Isso dói, tomar medidas amargas e independentemente das eleições nós vamos continuar apresentando propostas à Assembleia. O que nós não podemos perder, eu acredito que é o caminho, é buscar a adesão ao regime de recuperação fiscal, porque significa permanecer no Rio Grande do Sul, 11 bilhões e 300 milhões de reais em três anos, e que iriam para os cofres da União. Isso nós temos que fazer. Segundo, continuar fazendo as propostas de federalização ou privatização de empresas no Estado. Terceiro porque, na suspensão do pagamento da dívida com a União é também a oportunidade de tornar o Estado mais eficiente, mais sustentável e voltado para atender às necessidades da população do Rio Grande: educação, segurança, infraestrutura e políticas sociais, que é onde o Estado deve ter responsabilidade. Mas também provocar e continuar promovendo o desenvolvimento pra poder gerar emprego pra toda a população.

RPI: Sobre a privatização das estatais (CEEE, Sulgás e CRM), o senhor, caso seja eleito para os próximos quatro anos, planeja fazer o plebiscito no ano que vem ou tem outra estratégia que pretende fazer?
Sartori: Nós gostaríamos que tivesse sido aprovado (o plebiscito) este ano, que seria feito junto com a eleição e representaria uma poupança de recursos em torno de quase 30 milhões de reais. Ano que vem vai custar isso. Então, isso tudo deve ser repensado e veja bem, teve tempo pra discussão e pro debate. Nós apresentamos a proposta de retirada do plebiscito ainda em 2016, eram os três juntos, depois separamos pra dar mais facilidade pra votar e não fomos atendidos. Isso pode gerar problemas até para o estabelecimento do regime de recuperação fiscal. Mas, evidentemente, que vamos continuar pensando, atualizando. O problema é que lá adiante se pense como isso pode acontecer, mas nós sabemos que essa é uma semente boa e tem que avançar. Hoje alguém admite que o Estado tenha uma empresa pra minerar carvão? Hoje com tantos interesses internacionais, nacionais e o Rio Grande do Sul que tem, por exemplo, 90% das reservas de carvão do Brasil, fique cingido a ter uma empresa com um passivo grande e além disso tem um único comprador de carvão, paga quando quer e ainda não compra toda a produção que tem. Então, isso tudo é uma forma, sei que muitos têm simpatias ou acham que isso não pode se maxer mais. Acho que não cabe nessa hora nem demagogia, nem mágica. Eu não sou mágico. Vou fazer as coisas que precisam ser feitas, nós plantamos essa semente e nós vamos continuar na mesma direção, no mesmo caminho e no mesmo rumo, porque acredito que estamos fazendo uma caminhada com o rumo certo.

RPI: O senhor admite que pode ter faltado algo na relação com a Assembleia, em termos de diálogo e estratégia, ou algum equívoco? O senhor vai manter a mesma postura ou adotar nova estratégia?
Sartori: Com toda a franqueza, Cairoli e eu, resistimos muito para ser candidatos. Porque a gente achava que com a crise que o Rio Grande do Sul tem, era preciso que todo mundo se juntasse pra trabalhar junto e todos olharem na mesma direção. Infelizmente, por interesses ou por outras razões, cada um quis fazer seu próprio caminho, que eu respeito. Mas lá adiante, nós vamos ter que ter muita gente junto. E até porque eu pensava: ‘bah, se a gente tiver junto, a sustentabilidade para propor mudanças e transformações vai ter uma capacidade maior’. E a sustentabilidade será de todos e no futuro todos nós precisamos dessas mudanças e transformações. Por mais que elas representem uma divergência de opinião aqui ou ali, ou uma postura diferente aqui ou lá, nós não vamos mudar de comportamento. Nós vamos fazer a mesma caminhada.

RPI: Assinar o acordo de recuperação fiscal é determinante pra voltar a pagar os salários dos servidores em dia?
Sartori: Acho que não é só isso. É só uma parte. Claro que se ficar aqui 11 bilhões e 300 milhões de reais em vez de irem para o governo federal, como foi feito ao longo do tempo, ao longo da história, alguma parte nós já ganhamos na justiça no Supremo Tribunal Federal e portanto isso nos dá um alívio, mas ainda assim não é o suficiente. O conjunto do déficit representa praticamente 25 folhas de pagamento. Nós temos que superar isso e trabalhar. Todos têm que entender que essa é uma dificuldade que precisa ser superada. Vou dar o exemplo da previdência. Se nós vamos chegar a um déficit hoje no Estado, ao final de 18, de 8, que era projetado de 25,5 bilhões, posso dizer que o déficit da previdência do Rio Grande do Sul vai chegar perto dos 11 bilhões de reais. E isso não adianta a pessoa ter palpite, ter outra maneira de pensar, chegou a hora da gente ser realista, botar os pés no chão e olhar o que é a verdade. Tem muita gente que me critica muito pelas ações que nós praticamos, mas nós não olhamos pra nós mesmos. Isso não é uma ação pro meu governo, é pro Estado do Rio Grande do Sul e pro futuro dele, também pras novas gerações, que terão um outro Estado. Um Estado equilibrado ajuda a fazer desenvolvimento, gerar emprego, dá oportunidade pra todos de criar um ambiente inclusive que dê credibilidade pra atração de investimentos, que nós precisamos pro nosso desenvolvimento estadual. E acima de tudo, eu acho que muitos criticam até porque nós sempre falamos a verdade e sempre fomos transparentes. Até na eleição passada também, eu era citado muitas vezes como alguém que não tinha propostas, que eu tava querendo passar um cheque em branco. Não. Esta é a realidade e a gente foi explicar pra todo mundo. Estive inclusive em Ijuí, lá na Unijuí, explicando pra todas as lideranças lá, qual era a realidade financeira do Rio Grande do Sul. Nós fomos a 9 regiões centralizadas e fizemos isso pra conscientizar a sociedade que essa é a realidade e nós vamos precisar tempo. Mesmo com a previdência complementar, nós vamos levar de 25 a 30 anos pra que haja o equilíbrio da previdência do Estado do Rio Grande do Sul. O déficit que vai ter esse ano é superior ao déficit do orçamento do Estado do Rio Grande do Sul.

RPI: Em relação a segurança pública, o que pode ser feito pra diminuir os índices de criminalidade, os ataques a banco no interior do Estado, que estão em crescimento, e também sobre o sistema prisional, onde muitos presos que ainda continuam liderando facções de dentro da cadeia?
Sartori: Vamos por parte. Eu vou tratar do geral. Acho que o Schirmer (secretário de segurança pública) coordena um trabalho integrado de todas as forças de segurança que tem mostrado que melhorou e muito, inclusive os índices de criminalidade têm diminuído de mês a mês. Se comparado com o semestre passado tudo bem. Força também para o sistema integrado com os municípios, hoje nós temos quase 300 municípios já sintonizados e outros que estão se preparando pra entrar e dentro de pouco, com este auxílio, vai avançar com videomonitoramento, inclusive de cercamento eletrônico, tecnologia na área de segurança também está ajudando. Nós chamamos todos os concursados que tinham para ser chamados em todas as áreas da segurança e abrimos um novo concurso para o efetivo da área de segurança de 6.100 pessoas, sendo que 4.100 são de soldados, a grande maioria da Brigada Militar e uma parte de 500 para os bombeiros. Então, tudo isso faz parte de uma estratégia bem definida. O fato dos presídios, nós modificamos a parte da legislação que permite o Estado trocar imóveis pela construção de presídios. Agora em setembro deve ficar pronta a ala do antigo presídio central, que foi derrubada em 2013 e que depois não foi construído nada. Nós vamos concluir essa ala, com nosso esforço, que foi uma troca de imóveis e vai permitir que isso seja diferente. Abrimos o de Canoas, embora hoje tenha sido salientado que teve o primeiro assassinato lá dentro, mas lá não teve problema até agora. São 2.300 presos, cada um no seu lugar, sem empilhamento. Abrimos centros de triagem para retirar das delegacias de polícia e dos ônibus onde eram guardados os presos temporários. Criamos as condições de avançar muito, mas temos que avançar muito mais. Não fizemos tudo. Acho que perante o Brasil inteiro é uma grande caminhada e agora aprovamos uma lei inclusive na Assembleia, que é inédita no Brasil, junto com o Instituto Cultural Floresta. É uma lei de incentivo, como é a da cultura, do audiovisual, nós fizemos para a segurança. Então quem quiser doar, de tudo que ele tem que pagar do ICMS, ele pode se permitir 5% disso pra compra de equipamentos, viaturas, acesso tecnológico ou avanço na qualificação, de várias maneiras. Acho que nós estamos no bom caminho. Eu diria que é preciso avançar mais na tecnologia, manter o efetivo nas condições que estão. E fizemos outro esforço, chamamos aposentados em condições de trabalho, que às vezes se aposenta com 48, 50, 51 anos e pode continuar trabalhando. Demos agora uma contribuição para aqueles que estavam em atividade e queriam se aposentar pra que eles permaneçam trabalhando. O esforço nosso é muito grande. E inclusive foi o único lugar, nós temos três orçamentos realistas, de 16, 17 e 18, onde não aumentou nenhuma rubrica, o único que aumentou foi a segurança. 19% a mais em 2017 e no exercício de 18, mais 16%. E outra coisa, nós garantimos aquilo que foi aprovado antes do nosso governo, que era o reajuste de todos os servidores da segurança, menos do IGP, mas a gente compensou com outra forma e nós cumprimos religiosamente esta situação. A segurança do Rio Grande do Sul ocupava os últimos lugares em termos de valorização salarial, hoje ocupa o segundo lugar do país.

RPI: A questão importante pra região noroeste é sobre logística, com a greve dos caminhoneiros, ficou evidenciado as dificuldades de logística pra escoamento da produção, de infraestrutura do Estado. Quais os projetos para melhorar a vida do agricultor pra conseguir escoar essa produção?
Sartori: Nós fizemos uma legislação pra ajudar as cooperativas. Todo mundo sabe que tiveram dificuldades, temos um grande trabalho de aproximação e consultamos muito a pequena agricultura, esses que tem que ser valorizados, tanto é verdade que agora no processo da Expointer temos um novo pavilhão da agricultura familiar. Então, o fortalecimento disso, o trabalho em todas as áreas da agricultura e graças a Deus, a agricultura, em termos de Produto Interno Bruto, é a que dá a sustentação, tanto é verdade que a indústria de equipamentos e máquinas agrícolas foi a única que não ficou desprotegida, graças a produção agrícola. Aqui, culturamente, como é a Ijuí e região, são altamente voltadas para a área cultural, patrimonial e das etnias, é preciso dizer o povo do Rio Grande do Sul, as nossas famílias, os nosso antepassados deram uma contribuição extraordinária para o país. Aonde tem produção neste país, lá tem uma família de gaúchos. E isso às vezes a gente não reconhece. O maior capital que Ijuí tem na agricultura, na produção, nas artes e em todas as áreas é o capital humano que existe no Rio Grande do Sul, que se fez através do trabalho, do acreditar que é possível superar. E a mesma coisa nós fizemos no nosso Estado, governando pra superar as dificuldades, apontar pro horizonte e criar um futuro melhor pra nossa sociedade gaúcha.

 

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí

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