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Cotado no Ministério da Agricultura, Goergen critica aliança de Bolsonaro com o Centrão

27 de abril de 2020

O momento de crise política tem transformado a esplanada dos Ministérios, em Brasília, em uma verdadeira panela de pressão. Como se não bastassem as polêmicas em torno da saída dos ministros da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, juntam-se ao cenário as dúvidas sobre a permanência de Paulo Guedes à frente do Ministério da Economia.

Nas últimas semanas também têm crescido os rumores de uma possível saída da ministra da Agricultura, Tereza Cristina. Seu alinhamento econômico com a China e países árabes, além da resistência em perdoar as dívidas do Funrural, têm feito com que a substituição da ministra seja pauta recorrente nos bastidores.

Um dos nomes cotados para assumir a pasta da Agricultura no governo Bolsonaro é o do deputado federal gaúcho Jerônimo Goergen (PP). Em entrevista à RPI, ele confirmou que, assim como no fim de 2018, antes da formação da equipe ministerial, foi sondado para assumir o Ministério da Agricultura.

“Fico lisonjeado por ter sido lembrado, mais uma vez, e tem um grupo que tem me procurado para (que eu apoie) a troca da ministra. Mas tenho dito que não é hora de mexer nisso, deixa a ministra trabalhar lá. Eu tenho alguns pontos de divergência com ela, mas não é hora de mais problemas políticos”, afirmou Goergen, que desde 2018 tem mantido alinhamento com o governo de Jair Bolsonaro.

Apesar de ter se aproximado do grupo político que circunda o presidente da República, o deputado afirma que mantém sua independência ao discordar com veemência da forma com o Planalto tem estabelecido sua articulação política, ainda mais durante a crise instaurada recentemente. “O fato de eu ser apoiador do governo não significa nada. Sou aliado mas não sou alienado, nunca deixei de ter a independência que eu acho que devo ter. Vejo que o governo é muito ruim na articulação política, e não é a toa que chegou onde chegou. Temos uma pandemia, que provocou uma crise econômica agora agravada por uma crise política”, afirmou o deputado gaúcho.

A alternativa buscada pelo governo para remediar a crise – e tentar barrar qualquer possibilidade do avanço de um processo de impeachment no Congresso – foi estabelecer aliança com o chamado Centrão, grupo de partidos conhecidos por formar alianças com interesses em cargos e outros benefícios. Essa opção, segundo o deputado Goergen, foi extremamente equivocada.

“Aqueles como eu, que só querem ajudar, nunca foram chamados para montar uma estratégia. Essa oportunidade caiu no colo do Roberto Jefferson, que hoje senta na sala do presidente da República como o grande salvador do governo, isso é triste simbolicamente, mas a política é assim”, avalia. “Ele (Bolsonaro) agora vai ter que negociar com o Centrão a cada votação, e isso vai se pagar com o dinheiro do povo brasileiro. Mas se for para resolvermos os problemas, que seja assim. Eu vou seguir apoiando para que as coisas deem certo, sempre com a minha independência”, finalizou Jerônimo Goergen.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí.
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