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Culturas de inverno estão em lenta recuperação no RS

18 de agosto de 2017
O desenvolvimento da cultura do trigo segue em lenta recuperação, em função da baixa umidade no solo, embora o aspecto visual seja bem melhor do que nas semanas anteriores. De acordo com o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, permanece o quadro de baixa densidade de plantas e pouco perfilhamento, apresentando folhas pouco desenvolvidas e as primeiras espigas com baixo número de espiguetas. No momento, 91% das lavouras de trigo estão em desenvolvimento vegetativo, 8% em floração e 1% iniciando a formação de grãos Estes percentuais situam-se em três pontos abaixo da média para o período.

Na canola (foto), as lavouras também estão com melhor aspecto visual, mas ainda com pouca uniformidade, baixa formação de síliquas, com pequeno porte. Produtores recorrem ao Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), informando a geada como principal evento prejudicial. Porém, as lavouras apresentam baixo potencial produtivo em decorrência do conjunto de adversidades climáticas ocorridas até o momento, chuva em excesso na implantação e início do desenvolvimento, seguida de longo período com baixa umidade e geada de grande intensidade. 

HORTIGRANJEIROS E CITROS

A safra do pepino está na fase vegetativa e de início de produção, tanto para o pepino conserva quanto para o salada. O clima ameno do período foi adequado ao desenvolvimento da cultura em ambiente protegido, recuperando-se as perdas decorrentes da geada formada no mês passado, que causou abortamento de flores/frutos nas primeiras apanhas. A procura está em alta nos mercados, e o preço se manteve estável, na faixa de R$ 3,50/kg (preço de entrega dos produtores) para ambos. 

O clima das últimas semanas foi adequado ao bom desenvolvimento do cultivo do morango. A produção é crescente, mas ainda não atingiu seu ápice. Áreas de segundo ciclo ou produzidas com mudas nacionais ou próprias já estão sendo colhidas. A produtividade é considerada boa até o momento. Alguns frutos precisam ser descartados devido ao ataque de doenças e pragas, que neste ano tem se intensificado, registrando-se forte ocorrência de ácaros que comprometeram com severidade algumas áreas de produção. 

As plantas cítricas do Vale do Caí estão iniciando a floração. Tem continuidade a colheita nas laranjeiras e bergamoteiras de ciclo tardio, facilitada no mês de julho e início de agosto graças ao tempo bom. No começo de agosto teve início a colheita da Murcott, uma fruta graúda, cuja casca é fina, mais grudada aos. Destina-se tanto ao consumo natural como para elaboração de sucos. O preço médio recebido pelos citricultores está em R$ 26,00/cx. de 25 quilos (veja quadro). Este preço médio é o mesmo que os citricultores estão recebendo pela bergamota Montenegrina, a tangerina com maior área de cultivo e maior produção no RS, que também é exportada para outros estados do Brasil. 

Entre as laranjas, estão em colheita a céu tardia, fruta de mesa sem acidez, a umbigo Monte Parnaso, fruta de mesa por excelência, e a Valência, destinada para a elaboração de suco, cujo preço médio recebido pelos citricultores está em R$ 350,00/ton. 

CRIAÇÕES

Na Bovinocultura de Corte, as forrageiras de inverno sofrem as consequências das baixas precipitações das semanas anteriores, o que gerou déficit da oferta de forragem. Alguns produtores têm complementado a alimentação dos animais com silagem e ração. A oferta está alta, afetando o preço recebido pelos bovinocultores.

De maneira geral, os bovinos mantidos em campo nativo e pastagens cultivadas de inverno têm apresentado baixo escore corporal. A tendência é melhorar a condição de escore em função da recuperação das pastagens cultivadas de inverno, principalmente o azevém. A procura pelo boi gordo está crescendo, mas o preço está abaixo do esperado pelo produtor. No entanto, a comercialização está ocorrendo com déficit de preço pago, pela necessidade de o produtor gerar receita na propriedade e liberar a área para diferimento da pastagem.

Para a Bovinocultura de Leite, estão sendo implantadas as primeiras pastagens de verão, como forma de antecipar a disponibilidade de pasto verde. Ainda é grande a escassez de alimentos, apesar da boa brotação das pastagens anuais, perenes e gramas nativas. Os produtores estão usando a silagem e farelados em maior escala devido à falta de outros alimentos. A produção de leite continua abaixo do normal, e a redução de em torno de 10% no preço pago também preocupa os produtores.

Evidenciou-se a importância da reserva de alimento nas propriedades rurais, principalmente silagem de milho, sem a qual a situação seria bem mais difícil neste período de escassez de pastagens. Mesmo com melhoria do rebrote das pastagens de inverno, o consumo de silagem, feno e ração se mantém elevado, aumentando o custo de produção durante um período em que o preço do litro de leite está menor em relação ao mês passado (alguns estão recebendo menos de R$ 1,00/L), reduzindo de forma drástica o lucro da atividade.

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