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Decisão da Justiça de afastar direção liquidante da Cotrijuí teve concordância dos próprios gestores

29 de janeiro de 2018

A direção liquidante que estava à frente da Cotrijuí não se opõe à decisão do Poder Judiciário de Ijuí, que hoje à tarde, 29, optou pelo afastamento da diretoria e nomeação de um administrador judicial. O então presidente, Eugênio Frizzo (foto), disse para a Rádio Progresso que a Justiça pediu opinião da direção liquidante da Cotrijuí, que se manifestou favorável à troca de comando.

Ele confirmou que foi notificado da decisão do Juiz titular da 3ª Vara Cível da Comarca ijuiense, Nasser Hatem, no final da tarde desta segunda-feira. Frizzo entende que uma pessoa isenta é muito melhor para administrar a instituição e, acima de tudo, está o interesse em melhorar a Cotrijuí. Em quase quatro meses de mandato, Eugênio Frizzo observou que fez todos os esforços para tentar recuperar a cooperativa da grave crise financeira, mas não foi possível, por isso, com humildade, reconhece que as medidas não surtiram os efeitos desejados.

 

A decisão

 

Por decisão do Juiz da 3ª Vara Cível do Fórum de Ijuí, Nasser Haten, a partir de processo impetrado pela empresa chinesa Chinatex Grãos e Óleos, a direção liquidante da Cotrijuí foi destituída, com a nomeação de um administrador judicial para comandar as ações da cooperativa a partir de agora.
 

O despacho saiu no final da tarde de hoje, já com intimação para direção da Cotrijuí. Dessa maneira, o presidente, Eugênio Frizzo, e demais integrantes da diretoria não podem mais exercer funções. A Chinatex ajuizou ação na 1ª Vara Cível da Comarca ijuiense para conversão da liquidação extrajudicial da cooperativa em liquidação judicial, ou seja, justamente quando o comando passa a ser determinado pela Justiça.

A empresa chinesa, que tem dinheiro a receber da Cotrijuí, alegou que, embora ultrapassado o prazo máximo de dois anos previsto para o encerramento da liquidação extrajudicial, nenhuma medida concreta foi adotada a fim de recuperar financeiramente a cooperativa. Ainda segundo despacho do Juiz Nasser Hatem, a Chinatex descreveu diversas evidências de que a liquidação extrajudicial era conduzida de forma caótica, ilegal e fraudulenta, o que justifica a intervenção judicial em defesa dos direitos dos credores da Cotrijuí.
 

O fato da Justiça, em São Luiz Gonzaga, semana passada ter rejeitado pedido da direção liquidante da Cotrijuí de estender os efeitos da recuperação das sociedades empresárias para a cooperativa, e o Ministério Público ter realizado operação em unidades da Cotrjuí, na última sexta-feira, também foram determinantes para afastamento da direção.
 

Na decisão, o Juiz da Comarca ijuiense chamou atenção que o patrimônio líquido negativo da Cotrijuí, em dezembro de 2016, representava variação negativa de aproximadamente 44% em comparação ao ano anterior. Para Nasser Hatem, isso mostra a situação alarmante da cooperativa, mesmo após os mais de três anos de liquidação extrajudicial.
 

As notícias de atraso de salários dos funcionários, demissões em massa, disposição de imóveis pela Cotrijuí, além da denúncia de desvio de grãos que deveriam estar em armazém-geral, também a ameaça de invasão da sede da cooperativa por associados, são outros pontos citados pelo magistrado.
 

O Juiz Hatem ainda observa que a Chinatex alegou que o liquidante não prestava contas aos credores. “Todo esse contexto evidencia que a caótica situação econômica da cooperativa pode estar sendo motivada pela má gestão dos recursos”, cita o magistrado no despacho de hoje à tarde. Por outro lado, o magistrado enfatiza que a situação grave enfrentada pela Cotrijuí vem prejudicando inúmeros produtores rurais e credores.

Nasser Hatem pondera que a decisão de afastar a direção liquidante da cooperativa é de caráter liminar e pode ser revista a qualquer momento, se comprovada a correta conduta dos atuais liquidantes. Até porque, segundo o despacho judicial, a Cotrijuí está sob investigação de seus gestores, para análise da existência de crimes.

Diante de tudo isso, o Juiz Nasser Hatem, da Comarca de Ijuí, decidiu destituir o atual presidente liquidante da cooperativa, Eugênio Frizzo, bem como afastar Ricardo Guioto, que é liquidante/adjunto; ainda afastamento do diretor superintendente da Cotrijuí, Gilmar Ribeiro Fragoso; e o analista executivo, Renilton Prauchener.

No lugar deles, foi nomeado como liquidante e administrador da Cotrijuí, o advogado Rafael Brizola Marques de uma empresa do ramo de administração judicial. A partir de agora, Rafael Brizola Marques está autorizado a indicar nomes para gerir as unidades da Cotrijuí, bem como utilizar o quadro de funcionários da cooperativa para seguir com as funções até eventual liquidação.

 

 

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