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Delegada Nadine Anflor é a primeira mulher a assumir a chefia da Polícia Civil gaúcha em 177 anos de história

9 de janeiro de 2019

O dia 8 de janeiro de 2019 entrou para a história da Polícia Civil do Rio Grande do Sul. Pela primeira vez, em 177 anos de história, a instituição terá a chefia de uma mulher: a delegada Nadine Tagliari Farias Anflor, natural de Getúlio Vargas. Nadine recebeu o cargo nesta terça-feira do então chefe da Polícia Civil Emerson Wendt, em uma cerimônia bastante disputada no auditório do Palácio da Polícia, em Porto Alegre. O espaço ficou absolutamente lotado para acompanhar o momento histórico. Nem mesmo o forte calor impediu o público de ovacionar a nova chefe da Polícia Civil gaúcha, quando ela assinou o termo de posse e mais três vezes durante o discurso da delegada, fortemente dedicado ao empoderamento feminino e aos avanços das mulheres na história. “Houve tempo em que os desafios variavam dependendo se eram relativos a pessoas do sexo masculino ou feminino. Para as mulheres, quase sempre diziam respeito a aprimorar as habilidades domésticas, cuidar dos filhos, servir ao marido. As atividades profissionais normalmente ficavam restritas aos homens. Felizmente estamos numa época em que estes conceitos foram completamente revistos e cada vez mais se tem consciência da importância de se defender a igualdade, dando a homens e mulheres as mesmas oportunidades de terem sua profissão, serem corresponsáveis pela manutenção da casa, poderem exercer o protagonismo”, discursou Nadine.

A chefe da Polícia Civil do Rio Grande do Sul destacou em entrevista exclusiva à reportagem da Rádio Progresso de Ijuí, que assumir o cargo é uma honra e uma quebra de paradigma. Nadine faz questão de ressaltar a trajetória das mulheres dentro da instituição, resgatando que nos anos 70 percebeu-se a necessidade das mulheres trabalharem na segurança pública, pelo fato de mulheres fazerem revistas em mulheres, além de lembrar que há apenas 30 anos, elas conquistaram o direito de serem delegadas. “Isso é por elas. Esse meu desafio a partir de hoje é por um caminho que foi trilhado por outras mulheres e que isso sirva de exemplo, que não seja mais nem notícia daqui pra frente. Venho com essa missão, uma missão muito árdua. A sociedade inteira clama por uma segurança melhor na rua. Temos dificuldades de efetivo e investimento, mas nosso objetivo aqui é tentar unir esforços. Tenho certeza que os valorosos policiais, homens e mulheres dessa instituição, que hoje somam quase 5 mil servidores, nós conseguiremos mudar um pouquinho essa triste realidade. A Polícia Civil, no papel constitucional de investigar, vai sim dar resposta a população. Este é o nosso propósito”, assegurou.

Delegada desde 2004, Nadine Anflor é formada em formada em Ciências Jurídicas e Sociais, pela Universidade de Passo Fundo e pós-graduada em Direito Público e em Direito Sanitário pela Unisinos. Atuou inicialmente na Polícia Civil em Santo Antônio da Patrulha e como plantonista na região metropolitana. Por quase sete anos, foi titular da Delegacia Especializada no Atendimento à mulher de Porto Alegre e a primeira coordenadora dessas especializadas no Estado. Entre 2015 e 2017, também foi a primeira mulher a presidir a Associação dos Delegados de Polícia do Estado. Uma das prioridades de Nadine no comando da Polícia Civil gaúcha será o combate ao feminicídio, com a retomada de redes de atendimento e integração entre os setores da segurança pública. “É um crime difícil de ser combatido. Nós precisamos pedir e dizer para as mulheres, que elas se sintam seguras, que venham até as delegacias, qualquer delegacia, que denuncie, mas que não fiquem caladas, que procurem auxílio das prefeituras, dos vizinhos, de familiares. Essa violência é muito silenciosa. A gente precisa falar todos os dias pra poder evitar o feminicídio”, orientou.

Outra iniciativa de Nadine é a criação da Delegacia de Combate a Intolerância, que vai ficar sob a supervisão do Departamento Especial de Proteção a Grupos de Vulneráveis, junto com as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, as duas dos idosos e ainda o da Criança e do Adolescente. A meta é qualificar o atendimento ao cidadão. Além disso, o objetivo da delegada é pulverizar pelo interior as delegacias de repressão ao crime organizado. A igualdade entre os gêneros também marca presença nos demais departamentos e subáreas da Polícia Civil. Dos 12 cargos, metade é chefiada por mulheres. Na subchefia da Polícia Civil assume o delegado Fábio Motta Lopes.

Ao lado do vice e secretário de segurança pública, delegado Ranolfo Vieira, o governador Eduardo Leite participou da cerimônia de posse da delegada Nadine Anflor e também ressaltou a importância da igualdade em seu discurso. Leite celebrou a posse da primeira mulher na chefia da Polícia Civil e mudou uma palavra no hino rio-grandense: “Sirvam novas façanhas, de modelo a toda terra.” O governador valorizou o avanço do Estado nos debates de igualdade entre homens e mulheres e destacou o otimismo em relação ao futuro. “Quero destacar aqui que a delegada Nadine não ocupa essa função por ser mulher. Ela ocupa essa função pela sua capacidade, pela sua idoneidade, pelos valores que tem, pelo seu trabalho e por sua trajetória. E celebramos que ela chegue aqui, rompendo esta barreira como a primeira mulher, dada a sua competência e sua qualidade. Temos muita expectativa na tua liderança, delegada Nadine”, salientou Eduardo Leite, sendo interrompido por sonoros aplausos da plateia.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí/Foto: Gustavo Mansur/Palácio Piratini

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