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Depois de três gerações no ramo, família desiste da atividade leiteira, devido ao baixo lucro

10 de setembro de 2021
Foto: Bruna Karpinski / Conseleite

A manutenção da atividade leiteira na região enfrenta severas dificuldades, como o baixo preço pago ao produtor, atrelado ao alto custo da produção. Uma família de Ijuí, por exemplo, que há três gerações trabalhava no aramo, abandonou a atividade, por constatar que o retorno financeiro não compensava. 

Segundo o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Ijuí, Carlos Karlinski, o sindicato identificou uma desistência recorrente por parte dos produtores em relação à atividade leiteira. “Precisamos reforçar a importância da atividade leiteira, já que gera uma renda mensal, envolve ocupação de mão de obra, contribui para o desenvolvimento local. Por outro lado, já foi mais importante, porque hoje estamos numa situação muito complicada, de fato. Ijuí tinha o dobro de produtores de leite antigamente”. 

Um dos motivos que pode ter levado a esta desistência, é o aumento das importações. Karlinski avalia que a busca pelo produto em mercados exteriores, desestimula o mercado interno, que trabalha para manter o fornecimento do leite, apesar das dificuldades. “Eu vejo a necessidade de mais fomento por parte dos governos, para que o produtor queira continuar e vislumbre um futuro promissor na atividade. Não é necessário comprar de fora se os produtores nacionais ofertam a mesma coisa”. 

O presidente disse ainda que o Conselho Nacional do Leite, CONSELEITE, é inócuo, já que o preço de referência é utilizado até mesmo pelas empresas compradoras, como argumento. “Temos o conseleite, que é inócuo, as empresas coletoras dizem que pagam mais do que o preço de referência e aí, como argumentar”, questionou. 

Um dos exemplos da desistência da atividade impulsionada pela falta de incentivo e alto custo de produção, Jacson Ordman, pertencente à terceira geração produtora de leite, deixou a atividade há um ano e meio. Ele e a família tinham 45 vacas na ordenha, e optaram por não manter. “Tinha meses com um bom preço, com um lucro ainda que pequeno, mais uns dois meses que o gasto era o mesmo da arrecadação e o restante do ano trabalhávamos no vermelho. Sem falar no custo da produção, pois tudo aumentou, inclusive a alimentação dos animais. Pensamos durante muito tempo até chegar a conclusão que não dava mais”. 

Jacson disse ainda que o Governo não oferece nenhum estímulo/incentivo para que as famílias continuem na atividade. “Conheço pessoas que trabalham com gado confinado e querem encerrar as atividades. Além disso, falta mão de obra. Está tudo muito complicado”, pontuou. 

Karlinski disse que há dois anos, houve uma acentuada tomada de decisão por parte das empresas que recolhem leite de não pegar o produto de quem produzia menos de cem litros, o que ele classificou como uma “exclusão”, situação que teria motivado o início mais massivo do abandono da atividade. “Nos últimos tempos vimos um aumento nos grãos, o que impacta também o custo de produção leiteira e contribuiu para as desistências. Hoje temos muitos produtores que já abandonaram a atividade e muitos outros que estão pensando seriamente nisso”. 

Outro fator que pode ter contribuído para a redução no número de produtores é a falta de mão de obra e o envelhecimento da população rural. “Temos um meio rural bastante envelhecido e o interesse baixo de manter a atividade por parte dos jovens”, pontuou Karlinski. O presidente entende que parte deste desinteresse se deve à falta de estímulos governamentais. “O governo teria que ter um olhar bem criterioso para estas questões de importações, já que temos produtores aqui. Precisa ver a questão do leite como soberania, de segurança nutricional. É uma atividade que geralmente envolve a família e tem todo um olhar para a preservação ambiental”, disse. 

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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