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Deputado investigado pela Lava-Jato tem dívida cobrada por duas transexuais em Porto Alegre

23 de junho de 2018

A tranquilidade de uma rua no bairro Petrópolis, em Porto Alegre, foi quebrada no final da manhã desta sexta-feira (22), quando um tumulto em frente a um prédio levou os moradores a chamarem a Brigada Militar. Duas transexuais gritavam afirmando estar cobrando uma suposta dívida do deputado federal José Otávio Germano (PP), morador do local.

A guarnição da BM, composta por três soldados, tentou negociar o fim do protesto. Um dos policiais subiu ao sétimo andar, onde mora Germano, e voltou dizendo que ele iria pagar a dívida. Descrevendo o deputado como “muito alterado”, o soldado pediu que as transexuais esperassem a chegada de uma pessoa que iria trazer o dinheiro.

Por telefone, o policial passou os dados da conta corrente de uma delas, para que o parlamentar fizesse o depósito. Depois de duas horas de espera, o soldado que comandava a conversa voltou para dentro do prédio. Ao sair, trouxe no bolso R$ 2,5 mil, em notas de R$ 100 e R$ 50.

— Tô com o dinheiro aqui, R$ 2,5 mil. Tu vai me prometer que hoje tu vai aliviar — condicionou o soldado.

Após alguns minutos de conversa com os PMs, as transexuais aceitaram ir embora mediante a promessa de que o restante da suposta dívida será pago em breve. Uma delas mostrou à reportagem mensagens de celular em que o deputado a chamava para o seu apartamento no começo da manhã desta sexta.

Ela afirmou ter visto no convite a oportunidade de cobrar a dívida, convidando a amiga para isso. O plano teria sido frustrado quando o político bloqueou o contato no celular, o que teria movido as duas a promoverem o tumulto em frente ao prédio.

O 11º BPM disse que não foi registrada ocorrência. No sábado, o batalhão divulgou que os soldados vão responder a uma sindicância para esclarecer por que mediaram o pagamento.

Procurado pela reportagem, Germano não atendeu as ligações. No seu gabinete, em Brasília, também ninguém atendeu. O deputado é réu em duas ações penais da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal. Por conta dos processos, dirigentes do PP já apresentaram um pedido à direção estadual do partido pedindo que ele não concorra nas eleições de outubro.

Assista o vídeo da cobrança:

 

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Fonte: GaúchaZH.

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