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Desinformação e descaso causaram queda na vacinação no RS, aponta pesquisa

12 de novembro de 2019
Tani Raniere ressalta que as vacinas são testadas e muito seguras

A Secretaria Estadual da Saúde divulgou na manhã desta terça-feira (12), em Porto Alegre, resultado de pesquisa sobre a queda de vacinação no Rio Grande do Sul. Os dados mostraram que 59% dos entrevistados responderam que não vacinaram os filhos por desinformação e descaso, categoria que engloba 14 itens citados. As “desculpas” mais citada foram esquecimento e a criança estava doente. Também foram mencionados medo de efeitos colaterais, falta de tempo, criança muito pequena e não tem surto de doença. Para a secretária de educação, Arita Bergmann, chama a atenção o perfil dos pais que não vacinam os filhos, do qual 64,9% têm até 24 anos, 87,8% têm ensino fundamental ou médio e 81,2% tem renda familiar até 5 salários mínimos.

O estudo da Amostra Instituto foi feito em 13 cidades, entre os dias 13 e 30 de setembro e entrevistou 1.371 pais, mães e responsáveis de crianças até 6 anos. Os locais foram selecionados de acordo com os índices de vacinação. A região norte do Estado foi representada por Erechim. As questões apresentadas eram de múltipla escolha e 10% dos entrevistados tinham mais de um filho. A margem é de 2,5% e o índice de confiança é de 95%. Outro ponto que chamou a atenção na pesquisa é que 90% dos entrevistados eram mulheres, pois os pais abordados não sabiam se os filhos eram vacinados ou não. A pesquisa também mostrou que a influência das fake news não foi tão significativa quanto se imaginava. Do total de entrevistados, 30% respondeu que viu ou leu informações contra a vacinação nas redes sociais e na internet, no entanto, desta parcela, apenas 4% acreditaram nas informações falsas e 11,6% acreditaram parcialmente no que leu. Em números absolutos, isso representa, 17 e 49 pessoas, respectivamente, enquanto 355 (84,3%) não acreditou.

A chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Centro Estadual de Vigilância em Saúde, Tani Raniere, ressalta a importância de desconstruir mitos sobre a vacinação. Segundo ela, o fato da criança estar doente não é motivo pra não vacinar, e neste caso, apenas em casos de febre, a vacinação deve ser adiada apenas. Tani salienta que as vacinas são testadas e muito seguras, podendo ser aplicadas inclusive mais de uma por vez, refutando argumento de quem não vacina porque uma outra vacina foi feita antes. Ela ainda destaca que a maioria dos efeitos da vacina são leves, geralmente pequenos e temporários. Sobre a gripe, Tani explica que a criança não fica gripada depois de ser vacinada. De acordo com ela, o que confunde as pessoas é que outro agente pode causar uma outra doença na criança, cujos sintomas sejam semelhantes ao da gripe. 

O estudo foi encomendado para entender os motivos da queda da cobertura vacinal e balizar futuras intervenções da secretaria da saúde. Arita Bergmann adianta que as iniciativas precisam informar os jovens até 24 anos e por isso as redes sociais devem ser mais usadas, além de estratégias de comunicação mais ágeis. Além disso, as campanhas, de acordo com a secretária devem ser mais incisivas, como por exemplo, enfatizar o fato de que caso a criança contraia a doença, há o risco de morte.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí

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