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Duas semanas após perda do companheiro, mulher de policial morto em ação descobre gravidez

7 de julho de 2017
A escrivã da Polícia Civil Raquel Biscaglia, 35 anos, deixou o consultório médico em Porto Alegre, na manhã desta sexta-feira (7) com esperanças renovadas. Fez exames clínicos que comprovaram o que ela havia descoberto há dois dias: está grávida. Uma boa nova que chega apenas duas semanas depois do trauma da perda do companheiro, e pai do bebê, o também escrivão Rodrigo Wilsen da Silveira, 39 anos, em uma ação policial em Gravataí, na Região Metropolitana. Raquel, que fazia parte da mesma equipe, testemunhou a perda do companheiro.

— Foi um choque muito grande descobrir a gravidez nessas circunstâncias. Se por um lado eu fico triste pelo Rodrigo não poder estar aqui e vivenciar esse momento, por outro, renovo as minhas esperanças. Vai ser um pedacinho dele que sempre ficará comigo. Não ficou só tristeza.

Ter um filho era um plano do casal há pelo menos cinco meses. Agora, Raquel descobriu que está com cinco semanas e três dias de gestação. Ela e Rodrigo já haviam pensado no nome de uma menina, que será Lara. Se for um menino, a mãe sabe que contará com a ajuda do pai na escolha.

— Na noite que eu descobri que estava grávida, fui dormir angustiada pela ausência do Rodrigo. Mas ele apareceu no meu sonho, beijou a minha barriga e disse que vai estar sempre junto. Achei ele tão sereno _ conta, entre lágrimas.

Raquel já é mãe de dois filhos. Rodrigo também deixou dois filhos. Dias depois da perda, a escrivã disse que não pensava em abandonar a carreira policial. Seu objetivo, dizia, era trabalhar pelas crianças. Um sentimento que ela garante, está reforçado.

— A gravidez vai me dar ainda mais força para retomar a vida normal e voltar à polícia — diz.

Ela está afastada das funções por um mês após a morte do companheiro.

A investigação

O inquérito que apura a morte de Rodrigo Wilsen ainda não foi concluído. De acordo com o delegado Rafael Sobreiro, três laudos periciais foram solicitados, e ainda restam dois a serem concluídos. Um deles é o exame de balística.

— O confronto balístico será fundamental para comprovar se o disparo que vitimou o policial saiu realmente da pistola apreendida. Também aguardamos os laudos para comprovar se partiram disparos do revólver também apreendido na ação — explica o delegado.

O escrivão foi morto com um tiro na cabeça disparado por um criminoso em uma casa onde a polícia cumpria mandado de busca. Seis pessoas foram presas no local. Elas permanecem na cadeia.

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