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É #FAKE que uso prolongado de máscara leva a quadro de intoxicação e baixa oxigenação do organismo

11 de maio de 2020
Foto: Paulo H. Carvalho / Agência Brasília

Uma mensagem que vem sendo compartilhada nas redes sociais diz que o uso prolongado de máscara de proteção contra o coronavírus produz hipóxia (baixa oxigenação do organismo) ao impedir a troca de oxigênio e dióxido de carbono do corpo com o ambiente. É #FAKE.

O texto afirma que a máscara faz a pessoa “respirar repetidamente o ar expirado transformado em dióxido de carbono”, gera sensação de tontura e pode evoluir para um quadro de intoxicação. A mensagem diz ainda que o artigo de proteção “causa desconforto, fadiga e perda de reflexos” e pode gerar desmaio. O texto afirma ainda que a máscara deve ser retirada do rosto a cada dez minutos, para que isso não aconteça.

Todas essas informações são refutadas pelo infectologista Leonardo Weissmann, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia. “Essa é mais uma das inúmeras informações falsas que estão circulando sobre a pandemia. O uso da máscara não causa nem hipóxia nem intoxicação pelo dióxido de carbono. Levantar a máscara a cada dez minutos pode aumentar a chance de o indivíduo tocar na frente da máscara. É exatamente o que não se recomenda”, explica o médico.

A mensagem propagada nas redes sociais fala ainda que não se deve dirigir de máscara “porque o ar viciado pode fazer o motorista perder a consciência”. É outra informação que não faz qualquer sentido, segundo Weissmann. “Tem se recomendado o uso de máscara mesmo para quem estiver no interior dos veículos”, diz.

O pneumologista Rodolfo Fred Behrsin, professor do Hospital Universitário Gaffreé e Guinle, reforça a importância de se cobrir nariz e boca ao estar nas ruas, em estabelecimentos comerciais, bancos e em transportes públicos, como vêm recomendando a Organização Mundial de Saúde, prefeituras e demais autoridades de saúde para tentar estancar a pandemia de Covid-19.

“As máscaras utilizadas nesta pandemia são feitas para impedir a inalação de partículas que ficam no ar. São pequenas gotículas emitidas por pacientes contaminados. A dimensão destas gotículas são grandes, se comparadas às moléculas de CO2, e a máscara é totalmente permeável, sem capacidade de reter o CO2. O que a máscara pode produzir é uma sensação de calor, por ficar sobre a face. Mas isso não é por retenção de CO2”, esclarece o médico.

Ele ratifica que não se deve mexer no rosto, uma vez colocada a máscara. “Não há necessidade de retirá-la a cada 10 minutos. Pelo contrário, quanto mais a manipularmos, mais aumenta o risco de contaminação.”

O médico desmente outro trecho da mensagem que está sendo compartilhada, que diz que “a deficiência de oxigênio causa quebra de glicose e aumento do ácido lático”. “Só existe a quebra da glicose em ácido lático em situações de anaerobiose (quando não há oxigênio), ou seja, não é o que ocorre neste caso.”

Sobre dirigir de máscara, Behrsin sublinha que não há qualquer problema nisso, mas ressalva que se a pessoa estiver sozinha no veículo e não rolar contato com outras, não há necessidade de proteger o rosto.

Patricia Canto Ribeiro, pneumologista da Escola Nacional de Saúde Pública, também rechaça o conteúdo da mensagem. “As máscaras não são hermeticamente fechadas, então permitem a troca do oxigênio e do gás carbônico. Esse texto é uma grande besteira. Não há baixa de saturação de oxigênio. A hipoxemia causada dessa forma só é verdadeira em ambientes que são totalmente fechados, em que você não tem a troca gasosa”, diz.

De acordo com Patricia, pode haver desconforto em casos de pessoas que já estão com dificuldades de respirar naturalmente. Mas não para qualquer pessoa que usar a máscara preventivamente contra o novo vírus. “Isso acontece se a pessoa já estiver fazendo esforço respiratório”, sublinha.

Sobre utilizar máscara ao volante, ela lembra que os condutores muitas vezes já dirigem com os vidros fechados, e ainda assim há troca gasosa. “Se o conteúdo da mensagem fosse verdadeiro, ninguém poderia passar por cirurgia, porque, em grandes processos cirúrgicos, o cirurgião passa seis, oito, dez horas de máscara. Os médicos que trabalham com terapia intensiva colocam os equipamentos de proteção todos, máscaras que são até mais grossas, e tiram poucas vezes ao dia, somente para comer e beber água. Não faz sentido algum o que está escrito.”

A médica explica que a chamada hipercapnia (presença de doses excessivas de dióxido de carbono no sangue) se dá em casos de asfixia. “Não se pode confundir isso. Os sintomas da Covid-19 não se relacionam ao uso das máscaras. Quem tem falta de ar terá dificuldades em ficar com a máscara. Mas as pessoas sem doença pulmonar, não.”

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Fonte: G1.