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Em 10 anos, crescimento da frota no RS foi sete vezes maior do que o de estradas asfaltadas

2 de janeiro de 2018
Recortado por 17,2 mil quilômetros de rodovias estaduais e federais, o Rio Grande do Sul passou longe de expandir a pavimentação de suas estradas em velocidade compatível ao crescimento da frota nos últimos 10 anos. De 2008 a 2017, mil novos quilômetros de asfalto foram integrados à malha rodoviária gaúcha, expansão de 8%. Enquanto isso, o número de veículos em circulação no Estado aumentou em ritmo sete vezes mais acelerado: 58%. 

Além da lentidão no avanço da pavimentação, a qualidade das rodovias asfaltadas também não entusiasma. A mais recente avaliação feita pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) mostra que o percentual de estradas consideradas ruins ou péssimas quase dobrou em nove anos, passando de 9,8%, em 2009, para 18,9%, em 2017 – o segundo mais alto índice do período, atrás apenas de 2015.

O secretário estadual dos Transportes, Pedro Westphalen, adjetiva como “vergonhosa” a precariedade da malha viária e considera esses percentuais “a síntese da situação em que se encontra o Rio Grande do Sul”, que “há 50 anos vem gastando mais do que arrecada” e, por isso, “não tem condições de prestar serviços básicos”.

– Preocupa o fato de que 88% do transporte no Estado esteja fundamentado em estradas, sendo que não as temos nas melhores condições – admite Westphalen.
Decisiva para a cotação do frete, a conservação das rodovias impacta no preço final do produto vendido. Conforme o Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Estado (Setcergs), o custo logístico gaúcho é de 25% do PIB.

– É uma vergonha, visto que a média nacional é de 14%. O Estado está perdendo a sua capacidade de atrair investimento por conta do custo logístico, muito mais alto que dos demais Estados. Se fizesse parte do conselho de uma empresa, jamais escolheria investir no Rio Grande do Sul. A malha tem atrasado o desenvolvimento de maneira contundente – avalia o presidente da entidade, Afrânio Rogério Kieling.

Trafegar por vias mal conservadas acelera o desgaste de pneus e freios, exige mais da caixa de marchas e faz com que o veículo gaste mais combustível. Ainda há risco de avarias em peças e de atraso nos deslocamentos. Tudo isso é levado em conta pelas empresas de logística na hora de estipular o valor do frete. E a compensação desse custo recai sobre o comprador final. O presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs), Gilberto Porcello Petry, diz que a movimentação em rodovias não pavimentadas resulta em acréscimo de, no mínimo, 100% ao frete:

– Em rodovias de boa qualidade, asfaltadas, o custo cai porque as transportadoras podem colocar veículos de maior capacidade e mobilidade, utilizando-os com carga máxima. Isso, claro, reduz o custo logístico dos produtos.

Secretário sugere transporte fluvial
Das rodovias que serpenteiam o Estado, 78% estão pavimentadas, evolução de quatro pontos percentuais em 10 anos. Mas entre as que obtiveram conceito “ótimo” ou “bom” na pesquisa CNT houve retração de 0,7 ponto percentual nos últimos nove anos. 

Em 2009, eram 38,5%. O melhor registro ocorreu logo no ano seguinte, com pico de 66,8%. De lá para cá, a parcela desceu a ladeira até atingir 26,4% em 2015, quando José Ivo Sartori assumiu o Palácio Piratini. Em 2016, houve melhora, com 37,3% das estradas avaliadas positivamente, ainda que longe do auge de 2010. No ano passado, o índice permaneceu estável (37,8%).

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