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Em entrevista à RPI, Marcelo Galvão recupera trabalho feito no sub-17 do São Luiz

10 de setembro de 2019

Na última sexta-feira, dia 06 de setembro, Marcelo Galvão veio até a Rádio Progresso, convidado a conceder entrevista sobre a campanha com o time juvenil do São Luiz de Ijuí. “Guiné” recuperou o processo de acerto com o clube, a emoção ao ser apresentado, como foi o trabalho para dar ânimo aos garotos após uma sequência de resultados ruins. Marcelo Galvão também falou sobre as características do futebol na nossa região, o período de convivência com o técnico Tiago Nunes, hoje no Athlético e falou sobre seu futuro. Ele disse que já está se organizando para buscar um estágio e, se surgir alguma oportunidade, pode assumir uma nova equipe, já que seu ganha-pão é o futebol. 

Abaixo, um compilado de algumas das principais ideias abordadas na entrevista. Mas no áudio, há muito mais:

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RPI: como foi o primeiro contato da direção contigo?

Guiné: Eu tava em Erechim num domingo à noite e daí o Sebastiany me contatou. Na verdade em janeiro eu já tinha interesse em treinar o time do São Luiz. Mas, naquela ocasião, a porta não se abriu. Daí o Ypiranga me convidou. Eu fiz parte da comissão técnica e treinava o sub-15. Mas conversei com a minha esposa, meus familiares, e resolvi encarar o desafio [de treinar o São Luiz], sabendo que a situação era difícil. Meu contrato era até onde o São Luiz iria no campeonato. Se eu perdesse os três jogos, eu estaria novamente desempregado. Mas era uma oportunidade de demonstrar que Ijuí tem jogadores bons e acho que fiz bem meu trabalho.

RPI: Você se emocionou na apresentação. Porque bateu essa emoção?

Guiné: Foi sofrido né? Eu fui 6, 7 vezes campeão amador, fui campeão da Copa dos Campeões Amadores, eu treinei as escolinhas GBM e do Modelo… e nunca surgiu o reconhecimento. Então quando veio o reconhecimento assim, passou um filme na minha cabeça, minha infância, minha história como jogador, tudo que batalhei e fui atrás. Eu sabia que essa era minha oportunidade. 

RPI: O que você encontrou no vestiário?

Guiné: Encontrei um time com autoestima baixa, não acreditando. A primeira coisa que fiz foi me reunir com eles e explicar que eu tinha um sonho, assim como eles estavam em busca do sonho deles. E que juntos nós poderíamos vencer. O grupo maravilhoso, me acolheu bem. Eles compraram a ideia e conseguimos recuperar a confiança.

RPI: Tecnicamente, o grupo estava homogêneo?

Guiné: Tivemos que trabalhar bastante. O time tomava muito gol diante do torcedor. Essa gurizada não queria mais jogar no 19 de Outubro, porque achava que a qualquer momento podia tomar gol. Na minha campanha, tenho 5 vitórias, 2 empates, 2 derrotas. Fiz 11 gols de saldo positivo. O que mais sofri foi dois gols numa partida. Primeiro estanquei a defesa. Então eu acho que o time teve uma evolução enorme.

RPI: Como foi tua reação quando soube da perda de pontos por escalação irregular?

Guiné: Isso aí abateu o grupo. Mas eu me mantive forte. Nunca escondi que isso [a perda de pontos] ia acontecer. Porque eles estavam confiando em mim. Se eu escondesse deles, não ia ter o retorno deles. Mas isso abalou. Eles já estavam sonhando grande. Mas a gente fez uma bela partida contra o Ypiranga, que tem cinco, seis anos de base, que veio aqui na primeira fase e goleou por 4 a 0. E tudo influi. Na véspera do jogo chove… isso também prejudicou. Em lances cruciais nosso jogador resvalou. 

RPI: Digeriu o jogo como um todo, pelo modo como foi a eliminação, tendo em vista o gol anulado?

Guiné: É difícil. A gente pensa: “esse grupo podia ter ido mais”. Mas eu também tenho a agradecer ao São Luiz, que abriu as portas. Acredito que foi um bom trabalho. Não sei se haverá sequencia ou não. Mas o São Luiz vai colher frutos dali. A evolução ficou para todo mundo. Quem foi ao estádio viu. O lance polêmico ele podia dar ou não. Mas eu acredito que a gente pode se estruturar melhor, se der sequencia, ou mesmo ano que vem.

RPI: Quando o São Luiz dá oportunidade para jogadores da base, os pais também ajudam. como funciona o relacionamento deles com você?

Guiné: Sempre fui bem direto. Vai jogar quem mostrar nos treinos. Também cobrávamos muito frequência nas aulas. Porque acredito que se não formar jogadores, tem que formar cidadãos. Os pais entenderam e compraram a ideia. Tem pais cujos filhos não jogaram, mas estavam ali sempre apoiando e torcendo. Mas sempre fui direto: “teu filho tem que melhorar nisso, ele precisa disso…”. Acho que a transparência é o segredo do sucesso.

RPI: O que você prospecta para o futuro?

Guiné: Tô esperando uma resposta da diretoria do São Luiz. Já fiz contatos para fazer estágio, tentar no Inter, tentar no Avaí. Tenho aula na Fagep. E vou continuar estudando. Acredito que não posso parar. Se o São Luiz não seguir e pintar uma proposta da Terceirona, num sub-19, se algum time entender que meu trabalho pode ser, eu vou aceitar.

RPI: Você que trabalhou no Ypiranga acha que tem algo lá que pode se adaptar ao trabalho feito aqui?

Guiné: É totalmente diferente. O Ypiranga está bem estruturado para a base. Tem 6 anos de trabalho. Aqui tem seis meses. Claro que pode estudar as ideias. Se sentar um grupo, pessoas inteligentes e trocar ideia, dá para estruturar. Mas o Ypiranga está uns passos à frente.

RPI: Porque o RS forma bons treinadores, como Mano Menezes e o próprio Tiago Nunes?

Guiné: É a dificuldade. Saber que o campeonato é 3, 4 meses. Se tu não se manter com a gana e garra, vai ficar desempregado. Quando você o ruim, quando tá no bom não vai querer largar. Vai dar o teu melhor. E uma coisa que aqui tem que aprender, tem que torcer para o Toureiro e não para o Touro. Não pode se dividir e medir forças. Unir a direção do Juvenil com a do Profissional e trabalhar para o clube crescer. Se isso acontecer, o clube pode ser muito grande. 

 

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí / Foto: Keller Steglich

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