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Em menos de 24h, duas mulheres trans são assassinadas em Santa Maria

9 de setembro de 2019
Esquina das Avenidades Presidente Vargas com a Borges de Medeiros, onde ocorreu primeiro assassinato em Santa Maria — Foto: Reprodução/RBS TV

Duas mulheres trans foram assassinadas, em menos de 24 horas, no último sábado (7), em Santa Maria, Região Central do Rio Grande do Sul. A polícia investiga os casos, e a ONG Igualdade, que atua na cidade, pediu uma audiência com a Secretaria Estadual de Justiça e dos Direitos Humanos para tratar do assunto.

O primeiro homicídio aconteceu na madrugada. A vítima foi Carolline Dias, de 27 anos, morta com um tiro nas costas na esquina das avenidas Presidente Vargas e Borges de Medeiros. Segundo a polícia, duas testemunhas viram quando um homem se aproximou da vítima a pé, disparou e fugiu, em seguida.

Carolline era natural de Três Lagoas, no Mato Grosso do Sul, e seu corpo foi transportado para a cidade natal ainda no sábado.

Já durante a noite, Nemer da Silva Rodrigues, 37 anos, foi assassinada com 13 golpes da faca, no bairro Tancredo Neves, onde morava. Moradores ouviram gritos e chamaram a polícia que, quando chegou, encontrou o corpo nas proximidades de um ginásio. O autor fugiu do local.

O delegado Gabriel Zanella explica que ainda não há suspeitos para os crimes, e que nenhuma linha de investigação é descartada.

“As investigações preliminares não indicam, por enquanto, relação entre os casos. Ressaltamos que a forma de execução e o tipo de arma [de fogo e branca, respectivamente] são diferentes nos dois homicídios”, complementa.

Câmeras de segurança estão sendo examinadas, e testemunhas ouvidas, para ajudar a elucidar os casos, afirma o delegado.

A ONG Igualdade, que atua na cidade em favor da causa LGBTQI+, acompanha os dois casos e acredita que as motivações de ambos tiveram relação com preconceito.

“Essa população está sempre vulnerável no espaço de trabalho onde elas estão, que é uma esquina onde as meninas trabalham à noite”, diz Marquita Quevedo, uma das coordenadoras da ONG. Segundo ela, Carolline trabalhava como garota de programa no Centro da cidade.

“No dia a dia, tem muita agressão, elas são agredidas verbalmente. ‘Tu tá’ na rua e não sabe se vai voltar para casa”, reclama.

Marquita diz que a ONG deve se reunir hoje (9) com outros coletivos e membros da comunidade para tratar do assunto. E também entrou em contato com a Secretaria Estadual de Justiça e Direitos Humanos. A Comissão Especial da Diversidade Sexual e Gênero da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Santa Maria também lamentou e repudiou os dois crimes.

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Fonte: G1

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