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Expodireto debate tendência positiva para o leite e realidade do trigo

8 de março de 2018
O anúncio de perspectivas otimistas para o mercado de lácteos para 2018 marcou o 14º Fórum Estadual do Leite, no terceiro dia de programação da Expodireto Cotrijal, nesta quarta-feira (7/3). Com lotação máxima, o auditório central foi palco para a palestra do engenheiro agrônomo Marcelo Carvalho, sócio-fundador e CEO da AgriPoint (Piracicaba/SP).
 

“Estamos saindo do fundo do poço. 2017 foi um ano complicado para o mercado do leite. A boa notícia é que temos uma atual conjuntura favorável”, disse o palestrante, relatando os fatores que devem influenciar para a perspectiva otimista. “Estamos iniciando ainda um processo de retomada do consumo e a importação deve ser menor nos próximos meses, já que os preços internos estão baixos. Com tudo isso, o conário é de recuperação dos preços”, indicou Carvalho.
 

Os desafios da produção

 

O fórum também debateu os desafios da produção de leite em sistema de confinamento e a pasto. O zootecnista Renato Palma Nogueira, consultor Técnico em Bovinos de Leite (São Paulo/SP), falou dos desafios para garantir bons resultados técnicos e econômicos em free stall e compost barn. Também deu seu depoimento sobre a sua experiência com o sistema de confinamento compost barn o produtor associado da Cotrijal Augusto Hoffstaedter, de Victor Graeff.

 

“Sabemos que existe uma variação muito grande de um mês para outro na produção de leite. Com a vaca em um sistema de confinamento, alcançamos um ambiente mais controlado, sem os fatores climáticos como sol, chuva e barro, e conseguimos focar no desempenho. A resposta média para quem opta pelo investimento em confinamento é de 7 a 8 quilos de leite/vaca, vendo o retorno do investimento em, no máximo, quatro anos”, apontou Nogueira.
 

Quem palestrou sobre o sistema de produção a base pasto, de alta eficiência, foi o pesquisador, consultor, sócio-diretor da Transpondo Consultoria (Cruz Alta/RS), o engenheiro agrônomo Wagner Beskow. E deu seu depoimento Valdir Jacoby, produtor de leite em Selbach/RS.

 

“O preço do leite sempre vai flutuar, por isso, o produtor precisa estar preparado para os momentos de baixa. Há algumas estratégias importantes que devem ser observadas. Dentre elas, reconhecer quando o rebanho precisa de atenção, precisa ser mudado de piquete, o pasto está passando do ponto ou está sendo rapado. A qualidade do pasto vem de manejo e adubação, mas principalmente da atenção de gestão que o produtor dá a ele”, enfatizou Beskow. O 14º Fórum Estadual do Leite é uma promoção da Cotrijal e da CCGL.

Trigo

 

O auditório central lotado recebeu, na tarde de quarta-feira (7/3), na Expodireto Cotrijal, três palestrantes no Fórum da Cultura do Trigo: o economista-chefe da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), Antonio da Luz; o analista sênior da Consultoria Trigo & Farinhas, Luiz Carlos Pacheco, e o pesquisador em Sistemas de Produção da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Trigo), João Leonardo Fernandes Pires passaram importantes informações ao público presente.
 

Pires destacou que apesar das limitações, o trigo é importante para o sistema de produção. “Nós temos discutido, ao longo da Expodireto, a importância do trigo para a própria soja, que é a vedete, e vai continuar sendo, mas ela não pode viver sozinha. O trigo é uma cultura que sabemos fazer, que tem tecnologia, e tem cada vez mais diminuído a sua área de produção. Mas tratamos aqui, em específico, sobre uma possibilidade de usar o trigo para exportação”, sintetizou.
 

Foram apresentados os resultados de alguns trabalhos feitos ao longo dos anos de 2016 e 2017, pela FecoAgro, que buscam identificar cultivares e práticas de manejo que possam estimular a produção de trigo. O estudo engloba ainda a organização do sistema para exportação de trigo para mercados do Norte da África e da Ásia e também uma possibilidade que se abriu de utilizá-la no Estado para a produção de ração.

 

Exemplo russo

 

Luiz Carlos Pacheco sugeriu um planejamento para o trigo para os próximos 10 anos, seguindo o exemplo russo. “A Rússia fez um planejamento de 20 anos para expandir as exportações. Em 2001, exportava 1,2 milhão de toneladas de trigo e fez um planejamento para exportar 35 milhões em 20 anos. Em 15 anos – ou seja, cinco anos antes do planejado, já atingiu 45 milhões de toneladas. É uma coisa pensada, planejada e pautada para que acontecesse. Tenho certeza que se nós, no Rio Grande do Sul, fizermos isto também, vamos reativar o plantio e a área de trigo que merecemos”, destacou.
 

Ao público foram apresentados vários números, análises e comparações da cultura do trigo no Brasil com outros lugares do mundo, como em relação aos países do Mercosul e europeus. A constatação é que o Brasil registra a média mais baixa de produtividade, em comparação com outros países, e o Brasil é um dos mais caros do mundo na produção de trigo. “Nós sempre teremos problemas de comercialização enquanto o nosso custo de produção for mais alto que o do restante do mundo, que é o que vem acontecendo”, alertou Antonio da Luz.

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