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Federasul promove encontro com 5 candidatos ao senado

13 de setembro de 2018
Simone Leite presidente da Federasul mediou o encontro com os candidatos ao senado

Nesta quarta-feira, a edição do Tá na Mesa da Federasul, em Porto Alegre, convidou 5 candidatos às duas vagas gaúchas ao senado, que estarão em disputa no dia 7 de outubro. Marcaram presença no evento Beto Albuquerque (PSB), José Fogaça (MDB), Luiz Carlos Heinze (PP), Mário Bernd (PPS) e Paulo Paim (PT). O último é candidato à reeleição, a outra vaga do Estado será renovada porque a senadora Ana Amélia Lemos (PP) concorre a vice-presidência na chapa de Geraldo Alckmin (PSDB). Conduzido pela presidente da Federasul, Simone Leite, o painel teve duas rodadas de perguntas para os candidatos, a primeira foi com questões sorteadas para cada um e a outra com o mesmo tema para todos.

O clima do evento em geral foi bastante amistoso, com os candidatos se posicionando e apresentando propostas e ideias para o futuro do país. O único discurso mais inflamado foi de Mário Bernd que criticou a mesmice e omissão do senado, em uma indireta para Paulo Paim, candidato à reeleição, citando inclusive que quem esteve lá teve a oportunidade e não fez nada. O candidato do PPS também fez fortes críticas ao PT e ao ex-presidente Lula. Nas considerações finais, logo depois de Mário Bernd, o sorteio passou a palavra para Paulo Paim, que em tom bem humorado, respondeu as provocações de Bernd, sentado ao seu lado. O senador petista questionou se Bernd fosse eleito iria ficar seu mandato inteiro reclamando do PT e brincou com ele, dizendo que o candidato do PPS está apaixonado pelo Partido dos Trabalhadores, Paim ainda disse que ele foi o único que não apresentou propostas.

Entre os outros candidatos não houve provocações, nem críticas, mantendo o alto nível de discursos. Beto Albuquerque chegou a pedir para Paulo Paim votar contra os reajustes aprovados no Supremo Tribunal Federal. O petista fez questão de garantir que vota contra o tema. Paim também elogiou em seu primeiro discurso, a sua colega de senado, Ana Amélia Lemos (PP), dizendo que ela trabalhou durante seu mandato. Mesmo sendo do mesmo partido, Heinze não concorda com as ideias de Ana Amélia, e anunciou que vai apoiar Jair Bolsonaro do PSL para a presidência, contrariando a sigla que tem a gaúcha como vice de Geraldo Alckmin.

No bloco de questões em comum, os candidatos tiveram que posicionar a respeito de quatro temas em quatro minutos: casamento homoafetivo, aborto, maioridade penal e estatuto de desarmamento. Sobre a união entre homossexuais, todos foram unânimes afirmando que o Supremo Tribunal Federal já deliberou sobre o assunto e o que foi decidido está na lei e deve ser cumprido. Sobre os outros temas, confira abaixo um resumo do que cada candidato defendeu durante o evento na Federasul.

Beto Albuquerque (PSB)
Em sua fala inicial, Beto relembrou sua trajetória política e disse que uma das suas propostas é modernizar o Estado, hoje incompetente e analógico, que não atende às expectativas, no ritmo que o eleitor deseja. Criticou o senado atual, que se omite e está de costas para os brasileiros. O candidato do PSB garantiu que pretende representar o Rio Grande do Sul para renegociar a dívida do Estado e lutar pela regulamentação da Lei Kandir, que deve recursos ao Rio Grande do Sul por impostos ligados à exportação. No segundo bloco, a questão para Beto foi sobre o foro privilegiado. Ele se posicionou a favor do fim do mecanismo, que é um símbolo da impunidade no país. Beto aproveitou para se posicionar a favor do corte de privilégios e ainda pretende acabar com o sistema de troca de favores no senado, que nomeia, por exemplo, diretores de agências atendendo a interesses políticos, em detrimento do povo. O candidato ainda defendeu uma proposta de utilizar 20% das reservas cambiais para investimento em infraestrutura, em obras, como estradas federais que poderiam ser ampliadas no Estado. Para a segurança pública, Beto defende uma Força Nacional para evitar a entrada de drogas e armas nas fronteiras, e uma federalização do sistema prisional.

No bloco de temas em comum, Beto se posiciona contrário a maioridade penal, defendendo investimento em educação como política de prevenção aos jovens. No entanto, ele abre a discussão para crimes hediondos, onde pode haver uma redução. Sobre o aborto, o candidato ressalta que o assunto é uma questão de saúde pública, mas é contra a liberação da prática como se fosse um método contraceptivo. Em relação ao estatuto do desarmamento, Beto defende que a lei seja menos rígida e com menos burocracia para o cidadão ter uma em sua propriedade, no entanto, é contra o porte de arma.

 

José Fogaça (MDB)
Com dois mandatos no senado, entre 1987 e 2003, o ex-prefeito de Porto Alegre quer voltar ao congresso para trabalhar a favor das grandes reformas que precisam ser feitas. Fogaça pretende trabalhar para auxiliar no crescimento econômico do país, priorizando setor como o agronegócio, a indústria e o comércio. Ele defende uma reforma tributária, que simplifique o sistema e reduza os custos para os empresários. O candidato do MDB ainda é favorável a uma reforma política, que inverta a lógica de que os candidatos são mais importantes que o eleitor, e uma reforma que introduza parcerias público-privadas. Argumentou também que é necessário um Estado mais enxuto e equilibrado. Sobre a reforma da previdência, disse que é necessária e que sem ela, o Brasil não sobrevive. No âmbito estadual, Fogaça defende a adesão ao regime de recuperação fiscal para o Rio Grande do Sul retome a agenda de investimentos. Por sorteio, foi questionado sobre o teto do funcionalismo e a estabilidade, o candidato comentou a emenda constitucional aprovada que limita os gastos, e destaca que a medida limita os aumentos aos índices de inflação, mas permite aumento em alguns setores, desde que seja reduzido o investimento em outro ponto. Sobre a estabilidade, disse que essa é uma questão superada, e quem relaxa não merece continuar no emprego. Nas considerações finais, pediu que os eleitores deem valor ao voto e que retomem a confiança no país e no futuro.

Sobre os temas em comum, Fogaça é contra a redução da maioridade penal, mesmo que reconheça que o problema é grave. Sobre o aborto, disse que é contra por princípios religiosos, mas entende que o tema precisa avançar no sentido de prestar atendimento, de políticas de saúde pública para a mulher gestante e também na questão da orientação e educação aos jovens. Em relação ao estatuto do desarmamento, o candidato do MDB defende que a lei que existe deve ser aplicada, mas defende que quem vive nas zonas rurais, distantes de forças de segurança, tenha direito a comprar sua arma para ter proteção em sua propriedade.

 

Luiz Carlos Heinze (PP)
Primeiro, Heinze relembrou sua trajetória como engenheiro agrônomo e política. Se for eleito, prometeu discutir a questão tributária no congresso, afirmando que é necessário repassar mais recursos para os municípios, bem como defender a reforma da previdência, que é deficitária, necessária para o país e política de segurança pública. Questionado sobre reforma trabalhista, ele elogiou as medidas aprovadas. Heinze ainda reafirmou sua passagem pelo congresso como deputado federal, dizendo que tem posição, mesmo que não seja a mesma do partido e que pretende rediscutir a dívida do Estado com a União, além de uma ação diferente no congresso a respeito da Lei Kandir, que poderia gerar recursos ao Rio Grande do Sul.

Sobre a maioridade penal, Heinze diz que é a favor da redução. Em relação ao estatuto de desarmamento, ele defende menos burocracia para o cidadão comprar uma arma, seja no campo ou na cidade, mas ressalta que é contra o porte de arma. Sobre aborto, o progressista disse que é contra e não aprofundou o tema, limitou-se a dizer que defende outras práticas para prevenir a gravidez indesejada.

 

Mário Bernd (PPS)
Com o discurso em um tom acima, o candidato fez duras críticas ao senado e a mesmice da política. Criticou as promessas, segundo ele, inverossímeis feitas pelos políticos e a omissão do senado em relação a temas importantes para a população. Ele defende que o congresso precisa ter um compromisso coletivo e não individual como vem sendo feita e por isso é contra quem se perpetua no poder. Caso eleito, disse que vai ir contra os privilégios e vai apoiar a operação lava-jato. Sobre a reforma da previdência, ele defende que é necessária.

No bloco de questões em comum, Bernd se posicionou contra o estatuto de desarmamento, defendendo a ideia de que as pessoas tenham o direito de comprarem armas. Sobre o aborto, ele foi o único a defender com firmeza a descriminalização, comentando que se o homem fosse gestante, já teria aprovado essa medida e criticando a sociedade machista. A respeito da redução de maioridade penal, Bernd é contra e ressalta que é necessário construir mais presídios, que possam ajudar a ressocializar os detentos.

 

Paulo Paim (PT)
Senador desde 2003, Paim falou sobre seus dois mandatos, destacando os avanços que teve. No congresso, se orgulha de ter aprovado todas as propostas que apresentou, incluindo temas como o estatuto do idoso, estatuto da igualdade racial. Frisou que é ficha limpa e que só viajou para o exterior como senador, quando visitou a África do Sul, para apoiar a libertação de Nelson Mandela. O candidato à reeleição, por sorteio, foi questionado sobre o Supremo Tribunal Federal. Respondeu que as decisões em última instância devem ser cumpridas e respeita a corte. No entanto, argumenta que as decisões do STF têm sido políticas e não jurídicas. Paim se manifestou contra a lógica de indicações dos presidentes para as cadeiras do Supremo, criticando os discursos de que fulano é indicado por um presidente e beltrano é indicado por outro, como se cada executivo controlasse um ministro. O petista defende projeto que modifica a legislação que determina a indicação do presidente para a corte. Sobre a reforma trabalhista, Paim reiterou que votou contra e que continua sendo contra, devido a insegurança jurídica causada pela medida e citou que apresentou alternativas para o tema. Em relação a reforma da previdência, o candidato destacou que provou que a previdência é superavitária. Ao encerrar, Paim citou que é apaixonado pelo que faz e garantiu que todas as suas emendas são enviadas para o governador investir em educação. Se for reeleito, ele se compromete a renegociar a dívida do Estado, atualizando índices.

Sobre os temas em comum, Paim se posicionou contra, dizendo que a questão do aborto está relacionado à saúde pública, cita ainda que existe uma lei e que precisa ser aprimorada. A respeito do estatuto do desarmamento, se posiciona a favor da lei que está colocada, sem alterações. E por fim, manifestou-se contra a redução da maioridade penal, acreditando que este não é o caminho.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí/Foto: Itamar Aguiar/Federasul

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