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Fetag e entidades solicitam que governo federal tome atitudes em função da crise do leite

14 de dezembro de 2018

O baixo preço pago ao produtor de leite, que sequer cobre o custo de produção, motivou a FETAG, através de sua Comissão Estadual do Leite, a chamar hoje (14) diversas entidades ligadas à cadeia produtiva e autoridades para encontrar saídas à crise leiteira, entre elas os secretários Odacir Klein e Tarcísio Minetto, respectivamente da Agricultura e do Desenvolvimento Rural. Tem produtor de leite em Tupanciretã recebendo R$ 0,80 e na maioria do Estado o valor fica na faixa de R$ 1,00. Embora seja difícil generalizar, o custo para produzir um litro de leite está acima deste patamar.

Uma nota conjunta aprovada pelos participantes pede ao governo federal a compra pública de 30.000 toneladas de leite em pó do Rio Grande do Sul, a imediata suspensão da importação de produtos lácteos de outros países para a discussão de cotas e o rebate de 30% para a amortização das parcelas dos custeios e investimentos no qual a produção de leite seja a atividade indicada para o pagamento.

O presidente da FETAG, Carlos Joel da Silva, enfatizou que a crise atual é agravada pelo fato de que há alguns anos o setor já vem enfrentando. “Agora, ela chega ainda com mais força, pois o custo de produção é mais alto”, justificou. Pedrinho Signori, secretário-geral da FETAG, fez questão de pedir a diversas lideranças, de diferentes regiões do Estado, que se manifestassem e revelassem o sentimento das bases.

A primeira manifestação foi de Nelson Della Valli, presidente do STR de Santa Rosa, afirmando que os produtores da Grande Santa Rosa estão recebendo das indústrias menos de R$ 1,00 pelo litro. Já Renato Goerck, presidente do STR de Santa Cruz do Sul, lembrou que embora o carro-chefe na região seja fumo, a cadeia do leite também está inserida na economia local. Em 2017, havia 325 produtores de leite e de lá para cá mais de 100 já desistiram. Em agosto eles receberam pelo litro R$ 1,35 e em novembro caiu para R$ 1.03. “Essas pessoas têm toda uma estrutura montada e precisam de saídas. Se continuar neste ritmo, inclusive sem saber o que ganharão em dezembro, certamente, a desistência vai aumentar”, garantiu.

Márcio Langer, presidente do STR de Roque Gonzales, revelou que uma grande aflição será a perspectiva pós-dezembro, uma vez que o produtor terá muitas dificuldades para fechar as contas.

NOTA CONJUNTA PELA CADEIA PRODUTIVA DO LEITE DO RIO GRANDE DO SUL

De acordo com os dados do Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite no Rio Grande do Sul (Emater, 2017) dos 497 municípios do Estado, em 465 há produção de leite, vinculada à 153 indústrias com sistema de inspeção municipal (SIM), 37 indústrias com sistema de inspeção estadual (CISPOA) e 35 indústrias com sistema de inspeção federal (SIF).

Neste conjunto de municípios estão presentes 65.202 agricultores que produzem para tal finalidade (captação da indústria), sendo que a média de área destas propriedades rurais é de 19,1 hectares, o que demonstra que a produção de leite no RS é predominantemente desenvolvida em pequenas e médias propriedades de economia familiar.

Através de investimentos em infraestrutura, assistência técnica e manejo adequado, foram produzidos 4,5 bilhões de litros de leite no RS no último ano (IBGE/PPM, 2017), segunda maior produção nacional, o que representa uma importância econômica para o Estado de R$4,6 bilhões/ano e para os municípios de R$9,2 milhões/ano.

Considerando a importância que a cadeia produtiva do leite tem para o Rio Grande do Sul, é importante registrar as dificuldades que a mesma está passando no último período, sendo que por 05 meses consecutivos o preço pago ao produtor acumula uma queda de aproximadamente 30%, não sendo mais suficiente para cobrir os custos de produção. Da mesma forma, a indústria encontra dificuldade em comercializar os produtos lácteos acumulando prejuízos mês após mês.

Estes fatos ainda estão se agravando com a chegada do verão, das férias escolares e a consequente queda no consumo de leite e com a pressão no mercado exercida pela importação de produtos lácteos de outros países, que no mês de outubro chegou a um patamar de 18.699 toneladas e novembro de 17.918 toneladas.

Deste modo, as entidades e organizações que subscrevem este documento, compreendem que mais uma crise na cadeia produtiva do leite é motivo para impulsionar o êxodo e a pobreza rural e mais indústrias, cooperativas e agroindústrias decretar estado de falência. Nesse sentido é necessário que de imediato se tomem as medidas a seguir:

  • Que o Governo Federal efetue a compra pública de 30.000 toneladas de leite em pó do Rio Grande do Sul;

  • Recursos para o escoamento da produção de leite via PEP e PEPRO;

  • A imediata suspensão da importação de produtos lácteos de outros países para a discussão de cotas;

  • Rebate de 30% para a amortização das parcelas dos custeios e investimentos onde a produção de leite seja a atividade indicada para o pagamento.

Porto Alegre, 14 de dezembro de 2018

Entidade

Assinatura

FETAG-RS

OCERGS

FECOAGRO

SINDILAT/RS

AGL e IGL

CTB-RS

Sec. da Agricultura, Pecuária e Irrigação – SEAPI

Sec. de Desenv. Rural, Pesca e Coop. – SDR

Frente Parlamentar da Agricultura

Frente Parlamentar da Agricultura Familiar

Comissão da Agricultura – ALRS

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí e Fetag

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