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Governador estende restrições no RS até 30 de abril, mas dá autonomia a prefeitos do interior para reabrirem o comércio

15 de abril de 2020

As medidas de restrição de atividades no Rio Grande do Sul será prorrogado até o dia 30 de abril. O anúncio foi feito pelo Governador Eduardo Leite em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (15), no Palácio Piratini, em Porto Alegre. O novo texto deve ser publicado amanhã pela manhã ou ainda no início da noite em edição extra do Diário Oficial do Estado. No entanto, as medidas de restrição poderão ser flexibilizadas em municípios do interior, desde que não estejam na região metropolitana da serra gaúcha e da região metropolitana de Porto Alegre. Caberá aos prefeitos, observando as particularidades locais, editar decretos que amenizem as restrições impostas pelo Estado. O Governador apresentou ainda um plano de enfrentamento ao coronavírus e projeto de retomada das atividades no Estado. Conforme Leite, as medidas de restrição podem até ser revistas antes do dia 30, desde que os dados analisados indiquem um controle ainda maior do avanço de casos de Covid-19 e que o período estabelecido no novo decreto servirá como consolidação do sucesso do distanciamento observado desde as primeiras medidas e preparação para novas regras. A próxima etapa, de acordo com o governador, será um distanciamento controlado, com a implantação de protocolos a serem obedecidos pela população e pelas empresas, que devem incluir regras de atendimento e higienização e monitoramento dos indicadores e pesquisas que indicam a prevalência do coronavírus em solo gaúcho.

Dois fatores contribuíram para a decisão de estender as medidas de restrição no Estado. O primeiro foi a pesquisa liderada pela Universidade Federal de Pelotas, que apontou o comportamento do vírus no território gaúcho e os dados de ocupação de leitos em hospitais públicos e privados em todo o Rio Grande do Sul. Neste último item, Leite salientou que o processo não foi concluído, pois até a tarde de quarta-feira, 36 hospitais não inseriram seus dados no sistema, e portanto não foi possível apresentar as informações com a precisão que o governo desejava. Por isso, o Governador mais uma vez apelou para que as instituições insiram e mantenham suas informações atualizadas, pois o indicador é fundamental para a avaliação de cada região e para embasar as próximas decisões. Leite reiterou que as decisões são tomadas com base nas evidências científicas e agradeceu a aceitação da população às restrições de atividades. O Governador avaliou que as decisões tomadas no início da pandemia foram acertadas ao observar os resultados positivos em relação ao avanço da Covid-19 no Rio Grande do Sul. Leite explicou que as medidas foram importantes para que o governo ganhasse tempo para conseguir estruturar a rede pública de saúde e evitar que uma “superdemanda” de pessoas infectadas causasse um colapso no sistema estadual. “Não podemos admitir perder qualquer vida, muito menos por não ter estrutura adequada”, afirmou o Governador.

O Governador iniciou a cerimônia apresentando os dados atualizados do monitoramento do avanço do coronavírus no Rio Grande do Sul e no Brasil, elaborado pela equipe do Departamento de Economia e Estatística (DEE). O Estado segue com uma trajetória menos intensa que São Paulo e Rio de Janeiro, se assemelhando ao avanço registrado nos países asiáticos como Japão e Cingapura. O estudo apontou que a taxa de crescimento gaúcha é menor que o de outros estados, como por exemplo, a vizinha Santa Catarina. Leite destacou que após o RS largar na frente no início da pandemia no Brasil, em comparação com outros estados da região sul, o número de casos em solo gaúcho estão menores em termos absolutos e de acordo com a população. O estudo indicou que a taxa de casos no RS estão abaixo da média nacional, enquanto o Brasil tem 12 casos por 100 mil habitantes, o Estado tem 6,2 casos por 100 mil habitantes. A taxa de letalidade também é mais baixa no Rio Grande do Sul na comparação com Santa Catarina e Paraná. Ao analisar os dados, o Governador considerou que o distanciamento social e adesão da população aos hábitos de higiene e etiqueta respiratório contribuiu para o resultado positivo do monitoramento.

Também foram divulgados os resultados da pesquisa liderada pela Universidade Federal de Pelotas em parceria com o governo do Estado. A apresentação a partir de videoconferência foi feita pelo reitor da universidade, Pedro Hallal. O objetivo era entender o comportamento da Covid-19 em solo gaúcho, a partir da coleta de dados e testes realizados na população em todas as regiões do Estado. O estudo foi realizado em Ijuí, Passo Fundo, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Uruguaiana e Pelotas, com a primeira fase no feriado de páscoa, entre os dias 11 e 13 de abril. O teste representa a realidade de duas semanas atrás, pois ele identifica se as pessoas estão com anticorpos em relação ao coronavírus. Foram testados ao todo 4.189 pessoas, incluindo 500 em Ijuí. Hallal destacou que as estimativas devem ser interpretadas com muita cautela, mas que elas representam que os casos testados e confirmados são “a ponta de um iceberg”. Do universo testado na pesquisa, apenas dois testes foram positivos, equivalente a 0,05% ou um infectado a cada 2 mil habitantes. Pelas estimativas, o estudo estima que há 5.650 pessoas infectadas no RS. Pra cada 1 milhão de habitantes, a estimativa, de acordo com a pesquisa, é de 500 infectados, dos quais 65 foram testados e 1,2 morreram. O estudo revela que pra cada caso confirmado, há 4 casos não notificados. O resultado demonstra que o contágio é 15 vezes o número de casos confirmados.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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