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Ijuiense expulso da Venezuela diz que premeditou sua própria prisão

12 de janeiro de 2018
O brasileiro Jonatan Moisés Diniz, 31, que ficou preso por 11 dias na Venezuela sob a acusação de ter elos com uma organização criminosa, disse que premeditou sua detenção a fim de chamar atenção para o trabalho de sua ONG, a Time to Change the Earth (hora de mudar a Terra).

A afirmação está em um vídeo exibido na quarta-feira (10), em Balneário Camboriú, durante uma apresentação da entidade que Diniz idealizou e da qual é vice-presidente. Veja o video.

"Se eu fui pra lá e eu fui preso, é porque eu incitei ser preso", disse. "Eu sozinho não teria nenhuma voz, mas eu indo para a cadeia aconteceu exatamente o que estava nos meus planos."

O ativista chamou seu plano de ser capturado de "um ato sem medo". "Enfrentei pessoas poderosas, ligadas ao presidente, às Forças Armadas e, como eu já esperava, iria [fui] para a cadeia."

Ele ainda criticou a imprensa por ter se concentrado nos detalhes relativos à prisão e em seu passado no país caribenho. "Não falou merda nenhuma das crianças e jamais me perguntaram quantas crianças eu ajudei."

Desde sua chegada à Venezuela, no início de dezembro, o Ijuiense se expôs mais nas redes sociais. No período, tirou fotos com crianças que ajudou e amigos, além das imagens da Time to Change the Earth.

O comportamento foi diferente entre maio e agosto, quando morou no país —na época, só saiu em uma foto, de costas. Ele também levou camisetas e bonés para distribuir em suas ações filantrópicas.

Em outra rede social estavam públicas mensagens contra o regime do período em que morou em Caracas, que coincidiu com o auge das manifestações.

A narrativa foi ecoada pelo governo venezuelano. Como prova do suposto crime, o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, apresentou as postagens de Diniz e os bonés.

Ele afirma ter bancado as ações filantrópicas com recursos próprios. Mas a passagem de Los Angeles para Caracas foi paga por sua mãe.

Segundo informações divulgadas pelo Portal Folha, Diniz tem um histórico de problemas psiquiátricos e, em ao menos uma ocasião, foi internado em um hospital de Los Angeles.

O vídeo, feita em Santa Mônica, no Estado americano da Califórnia, surpreendeu inclusive os companheiros de ONG de Diniz, que organizaram o evento na sede da OAB de Balneário Camboriú.

De acordo com a presidente da ONG, Veridiana Maraschin, o gaúcho decidiu ir à Venezuela por conta própria. Naquele momento, afirma, a entidade ainda estava em processo de fundação, sem cadastro na Receita Federal, conta de banco ou sede.

Diante da prisão de seu vice, os trâmites burocráticos pararam. Agora, a intenção é continuar o trabalho, mas centrando os esforços em Santa Catarina.

Na terça (9), Diniz havia postado um longo relato sobre as condições do cárcere. Contou ter recebido comida em só 3 dos 11 dias que passou preso, dividido a cela com outros oito detentos e sofrido tortura psicológica.

"Um dia antes de me soltarem, quando fui […] obrigado a assinar minha expulsão do país por infelizmente 10 anos, foi que tive conhecimento [] que o caso tinha tomado grandes proporções", relatou.

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