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Lanche ao invés de janta, carro só em casos urgentes e banho frio: ijuiense muda hábitos para economizar

3 de setembro de 2021

A pandemia agravou a crise financeira do Brasil e seus efeitos na população são visíveis. Por anos adormecida, a inflação voltou a assombrar os brasileiros na pandemia, impondo cortes, adiando planos e alterando hábitos. Os efeitos da escalada dos preços são sentidos em todas as faixas de renda, mas vêm afetando, principalmente, as famílias mais pobres, seguidas de perto.

Em Ijuí, a auxiliar de serviços gerais Tatiane Pinto Dias, casada e mãe de dois filhos, mudou de hábitos para tentar suprir as necessidades básicas da família, com a renda mensal de aproximadamente R$2.800. Em entrevista à Rádio Progresso, Tatiane disse que a mudança principal foi a troca de uma das refeições do dia, por lanche. “Trocamos a janta por um lanche, um café, qualquer coisa que não envolva uso de gás de cozinha e luz elétrica”.

Tatiane também teve que deixar o carro apenas para situações urgentes. “Agora usamos o ônibus para os deslocamentos diários e sempre que possível, vamos caminhando. Mesmo com o ônibus, se torna caro, já que são quatro pessoas. A melhor alternativa é andar a pé mesmo”. Outra alternativa encontrada pela Tatiane para tentar economizar foi parar de passar roupas. Agora, somente as peças que serão vestidas na hora são passadas. “Cuido para deixas as lâmpadas desligadas quando não estamos usando e na tomada ficam apenas os aparelhos que estão em uso”. 

Os dias quentes estão sendo como aliados de Tatiane. “Com o calor, só banho morno ou frio, o que também ajuda um monte. Isso é o que estamos conseguindo fazer para economizar. Não temos mais alternativas, não sabemos mais o que cortar para gastar menos. No mercado, os alimentos estão cada vez mais caros, a situação está cada vez mais difícil”. 

De 2020 para cá, a perda de poder aquisitivo se acentuou aos poucos, aliada à queda vertiginosa na renda, com o desemprego crescendo e atingindo 14,8 milhões de pessoas — o equivalente a 14,6% da força de trabalho.

Em 2021, a elevação dos preços é percebida em quase todos os setores, e a taxa acumulada em junho, considerando os últimos 12 meses, foi a maior desde setembro de 2016. Nada menos do que oito dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento no país — da habitação, impactada pelas contas de luz, ao setor dos transportes, atingido pelo avanço nos combustíveis.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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