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Laudo aponta duas bactérias, mas causa de surto de infecção em Santa Maria ainda é investigada

15 de janeiro de 2020
Vigilância em Saúde da Prefeitura de Santa Maria inspecionou o Sesi nos dias seguintes ao começo do surto — Foto: Ariéli Ziegler / PMSM

A causa do surto de doença diarreica aguda que resultou na morte de duas crianças, em dezembro de 2019, em Santa Maria, no Centro do estado, ainda é investigada. Porém, conforme aponta uma nota técnica assinada em conjunto pelas secretarias estadual e municipal de Saúde, nesta terça-feira (14), resultados laboratoriais preliminares em seis casos suspeitos identificaram duas bactérias: Campylobacter jejuni e Escherichia coli O157.

Elas foram identificadas em exames do Laboratório Central do estado (Lacen) e do Laboratório de Referência Nacional em Enterobactérias da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) concluídos nesta segunda (13). Testes adicionais ainda estão sendo realizados.

Embora não seja possível determinar a fonte da infecção, a investigação avança em relação à origem do surto e auxilia na prevenção de novos casos. A infecção por Campylobacter spp. em humanos, segundo a nota, pode se manifestar de várias formas, sendo a gastroenterite a mais comum. Os sintomas são semelhantes aos verificados nas pessoas atingidas pela doença em Santa Maria: diarreia, vômito, náusea, dores abdominais e febre.

Já o E. coli O157 faz parte das E. coli enterohemorrágicas produtoras da toxina Shiga, responsáveis pelos sintomas de gastroenterite, colite hemorrágica e Síndrome Hemolítica-Urêmica. De acordo com a nota, o RS não tinha relatos de surtos que envolvessem este agente bacteriano até então. Apesar disso, há relatos de diferentes subtipos dessa bactéria nos últimos anos.

De acordo com as secretarias, as duas bactérias são raras para o desenvolvimento de surto, o que pode indicar que Santa Maria seja o primeiro município do Rio Grande do Sul acometido por uma epidemia com esses agentes.

Até a última sexta-feira (10), foram identificadas 487 pessoas expostas à infecção, com 41 casos e seis internações. Dados preliminares apontam que o primeiro caso ocorreu em 5 dezembro, sendo que 70% deles ocorreram nas três semanas seguintes.

A prefeitura de Santa Maria chegou a considerar o surto de infecção intestinal encerrado, mas como o último caso registrado teve início de sintomas no dia 8 de janeiro, eventos como este serão monitorados por mais 30 dias até que não sejam registrados casos novos.

As únicas mortes, até agora, foram das duas crianças, de 5 e 4 anos, alunas da escola infantil do Sesc, nos dias 22 e 23 de dezembro. As secretarias de Saúde pedem que casos suspeitos sejam notificados pelo Disque Vigilância (150). Elas orientam, também, que os moradores tomem uma série de cuidados para evitar contato com as bactérias. Veja as recomendações:
 

  • Lavar bem as mãos com sabonete/sabão antes do preparo dos alimentos, sempre que interromper a atividade de preparo, e após;
  • Lavar bem as mãos após uso do banheiro e troca de fraldas;
    Lavar frequentemente as mãos das crianças com sabonete/sabão, sobretudo após o uso do banheiro;
  • Manter os alimentos refrigerados, abaixo de 5ºC, ou aquecidos acima de 70ºC;
    Consumir somente água potável/tratada;
  • Consumir alimentos crus como vegetais folhosos, frutas e legumes, somente após a lavagem mecânica retirando todas as sujidades, seguida do uso de solução clorada;
  • Consumir alimentos de origem animal (carnes, ovos, leite, mel etc.) somente com registro no órgão sanitário competente;
  • Não consumir leite e seus derivados crus, não pasteurizados;
  • Utilizar utensílios (tábuas, talheres e recipientes) diferentes para produtos crus e cozidos;
  • Não ingerir carnes cruas ou mal cozidas (abaixo de 70 º C);
  • Manipuladores que apresentarem sintomas gastrointestinais não devem manusear alimentos.
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Fonte: G1

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