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Levantamento da Emater na região de Santa Rosa aponta redução no número de produtores e estabilidade no volume de leite

15 de novembro de 2021

Estratégico para a compreensão do cenário da atividade leiteira na região e no Estado, bem como para a definição e execução de políticas públicas, o Relatório Socioeconômico da Cadeia Produtiva do Leite, elaborado pela Emater/RS-Ascar, entidade vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), apresenta a conjuntura atual do setor no Rio Grande do Sul. Para sua elaboração, a região de Santa Rosa contribuiu com um levantamento realizado nos 45 municípios de abrangência regional da Emater/RS-Ascar, apontando resultados semelhantes com os do Estado: redução significativa no número de produtores de leite, estabilidade na produção e aumento da produtividade. As informações da região foram apresentadas oficialmente nesta quarta-feira (10/11), no evento Cadeia do Leite, promovido pela Fenasoja 2022, no Centro Cívico Cultural de Santa Rosa.

Na parte da manhã ocorreu o lançamento do tradicional Festival de Pratos Derivados de Soja, que chega a sua 4ª edição e ocorre durante a próxima Fenasoja, em maio de 2022. Durante a tarde, em parceria com a Emater/RS-Ascar, foi o momento de focar no debate em torno da Cadeia do Leite. Para isso contou-se também com a parceria da Celena Alimentos, CCGL, Cotrirosa, Coopermil e Unijuí.

Cenário do Leite

No Estado, o número de produtores de leite vinculados à indústria, tem reduzido significativamente nos últimos anos, passando de 84.199 em 2015, no primeiro diagnóstico realizado, para 40.182 em 2021, representando uma redução de 52,28%. Enquanto isso na região de Santa Rosa, conforme explanado pelo gerente regional da Emater/RS-Ascar e presidente da Comissão de Agricultura, Soja e Derivados da Fenasoja 2022, José Vanderlei Waschburger, o número de agricultores que entregam o leite à indústria reduziu de 14.871 em 2015 para 5.710, em 2021, representando uma diminuição de 62%. O rebanho também reduziu 26% neste período.

Por outro lado, o volume total de leite produzido teve variação pouco significativa, sendo que atualmente são produzidos e comercializados em torno de 641.071.733 litros de leite cru ao ano, comercializado para indústrias e agroindústrias elaborarem seus produtos, apenas 1% a menos do que em 2015. Ao mesmo tempo, a produtividade média por vaca/ano também ampliou, ou seja, os produtores que permanecem na atividade investem mais em seu plantel, qualificando a oferta de alimentação, ações de bem-estar animal, sanidade e facilidade do manejo. No primeiro levantamento eram aproximadamente 3.214 litros/vaca/ano. Hoje a produtividade está em 4.615 litros/vaca/ano, um aumento de 43%, representando melhora no manejo e mais adoção do uso de tecnologias.

Além do leite comercializado à indústria, o levantamento apontou ainda 321 agricultores que, com 1.184 vacas, vendem diretamente ao consumidor, 2,37 milhões de litros ao ano; 439 agricultores que processam de forma caseira e artesanal 4,31 milhões de litros/ano de 1.691 vacas; 7.900 produtores, com 19,53 milhões de litros/ano produzidos apenas para seu consumo próprio, oriundos de 13.782 vacas; e 314 produtores que dão outros destinos aos 676,72 mil litros produzidos, de 1.589 vacas.

Os dados da Emater/RS-Ascar apontam informações sobre formas de alimentação e nutrição dos animais; sistema de produção; concentração de produção por propriedade; composição do rebanho; sistema de ordenha; resfriamento e estrutura de apoio na região; dificuldades e potencialidades citadas pelos produtores.

O gerente regional da Emater/RS-Ascar, José Vanderlei Waschburger, avalia que o levantamento realizado a cada dois anos pela Instituição contribui para subsidiar entidades públicas e privadas na elaboração e desenvolvimento de políticas de apoio e de assistência técnica, além de identificar demandas vindas do campo. “Diante do expressivo número de famílias que deixaram a atividade, a Assistência Técnica e Extensão Rural e Social (Aters) volta sua preocupação também à alternativas que estão sendo adotadas por elas, nossa função é assessorá-las nos diferentes contextos”, afirma Waschburger.

O extensionista do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar Jorge João Lunardi destaca que o estudo sobre a cadeia do leite, que envolvendo desde a produção até a industrialização, é importante principalmente quando levado em conta que é a segunda atividade agrícola que mais gera renda na região, estando apenas atrás da soja.

Os dados deste ano foram compilados em 2021 por extensionistas da Emater/RS-Ascar, em parceria com prefeituras, Inspetorias de Defesa Agropecuária, Sindicatos de Trabalhadores Rurais, Conselhos Municipais de Agricultura, associações e grupos de produtores e indústrias, agroindústrias, cooperativas e empresas de laticínios.

Perspectivas do setor no país e no mundo

Na sequência, o público teve a oportunidade de ouvir o palestrante Airton Spies, doutor em Economia dos Recursos Naturais pela University Of Queensland, Austrália, e Mestre na área do Leite na Lincoln University, da Nova Zelândia, que abordou o tema “Perspectivas e oportunidades para o Agronegócio brasileiro”.

A palestra foi transmitida ao vivo e segue disponível nos canais da Emater/RS-Ascar no Facebook (faceboook.com.br/ematerrs) e no Youtube (https://www.youtube.com/watch?v=5QthQo3zQuk), e apresentou o cenário do agronegócio, especialmente desafios e oportunidades de inserção da cadeia leiteira brasileira no mercado mundial.

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Fonte: Radio Progresso de Ijuí e Emater
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