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Megaoperação transfere 18 líderes de facções para presídios federais fora do RS

3 de março de 2020

Foi desencadeada na manhã desta terça-feira (03) uma megaoperação coordenada pela Secretaria de Segurança Pública do Estado. O objetivo foi transferir 18 líderes de facções criminosas para penitenciárias federais fora do Rio Grande do Sul. Os apenados foram removidos da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. A ofensiva, batizada de Império da Lei, teve a participação de 1.300 agentes, sete aeronavas (seis helicópteros e um avião) e quatro embarcações, além da atuação de 15 instituições estaduais e federais. Os líderes ficarão isolados por três anos, prorrogáveis por mais três anos. As penitenciárias federais que vão receber os apenados gaúchos não foi divulgada. Confira a lista dos líderes transferidos abaixo, ao fim do texto.

Planejada há um ano, a megaoperação começou ainda na madrugada com os preparativos para a transferência dos apenados. Por volta das 6h, os primeiros líderes começaram a ser removidos da penitenciária em Charqueadas. O deslocamento em vans escoltadas foi até o Parque Adhemar Souza Farias, o Parcão, no centro do município. De lá os presos foram transportados, um de cada vez, em aeronaves até à Base Aérea de Canoas, em viagens de cerca de 13 minutos. Antes de embarcarem em aeronave da Polícia Federal em direção às penitenciárias federais, todos os apenados passaram por corpo de delito. O avião decolou às 10h20min com todos os 18 líderes de facções.

A megaoperação é a maior já executada pelo programa RS Seguro, do Governo do Estado. Em coletiva, na secretaria de segurança pública, o Governador Eduardo Leite ressaltou a importância do programa e celebrou a parceria do Ministério da Justiça e Segurança Pública, pasta comandada por Sérgio Moro, que atuou em conjunto com o Estado na transferência dos presos. “Somos um exemplo em megaoperação bem sucedida”, destacou o Governador, que salientou que o Estado não tolera o crime e espera que a ação contribua para a redução ainda maior dos índices de criminalidade. O vice-governador e secretário de segurança pública, Ranolfo Vieira Júnior, ressaltou todas as instituições que participaram da megaoperação, comprovando a importância da integração entre os órgãos. De acordo com o vice-governador, desde março foi iniciado o planejamento para a ação desta terça-feira, chamado de dia D. Uma lista de 33 chefes de organizações criminosas foi apresentada para serem removidos do Estado. O poder judiciário decidiu por transferir os 18 líderes envolvidos na megaoperação. Ranolfo ainda citou como justificativa para a ofensiva Império da Lei um estudo que identificou que três a cada quatro homicídios no Estado estão relacionados a guerra de facções. O vice-governador também destacou que todas as forças de segurança do Estado estão mobilizadas para coibir qualquer tipo de reação por parte das organizações criminosas.

A escolha por utilizar aeronaves para transportar os presos de Charqueadas até à Base Aérea de Canoas foi justificado pelo vice-governador pela agilidade na transferência dos líderes e também para dar segurança à sociedade, evitando ainda que dezenas de viaturas congestionassem rodovias nas primeiras horas da manhã, quando o movimento é bastante acentuado na região metropolitana.

A megaoperação é semelhante à Operação Pulso Firme, de julho de 2017, que transferiu 27 presos para penitenciárias federais. Destes, segundo o procurador-geral do Ministério Público, Fabiano Dallazen, 15 continuam fora do Estado. Dallazen ainda ressaltou que a justiça entrou com recurso para que os demais 15 nomes da lista que não foram transferidos nesta megaoperação, também sejam removidos do Estado. Cada caso será analisado de forma individual. Os nomes não foram divulgados, pois os processos estão em andamento.

Pelo Estado, atuaram nesta megaoperação Brigada Militar, Polícia Civil, Instituto-Geral de Perícias, Corpo de Bombeiros Militar, Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), Ministério Público e Poder Judiciário. A Secretaria da Saúde apoiou com acompanhamento do Samu. Pela União, a partir de determinação do Ministério da Justiça e da Segurança Pública para apoio do Departamento Penitenciário Nacional e da Secretaria de Operações Integradas, somaram-se esforços de Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal (PRF), Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Exército, Aeronáutica e Marinha do Brasil.

LISTA DOS 18 LÍDERES TRANSFERIDOS PELO ESTADO

Alexandre dos Santos Teixeira, o Chaves, 42 anos
Com condenações por tráfico de drogas, roubo e extorsão e duas vezes por homicídio qualificado, além de uma tentativa, Chaves acumula 65 anos e nove meses de pena, dos quais já cumpriu 23 anos. O término do cumprimento das sentenças só ocorrerá em outubro de 2062.

Bruno Fernando Sanhudo Teixeira, o Biboy, 30 anos
Cumpria pena na Cadeia Pública de Porto Alegre. Em agosto de 2017, Biboy foi condenado a 30 anos de reclusão por um duplo homicídio praticado em 2 de julho de 2014, na região conhecida como Beco dos Cafunchos, na zona leste da capital, contra dois homens suspeitos de integrar facção rival, crime pelo qual ele e um comparsa foram presos dois dias depois. Soma penas que estipulam sua permanência na cadeia até fevereiro de 2051.

Cristian dos Santos Ferreira, o Nego Cris, 35 anos
Em 2012, na condição de foragido, foi preso em um sítio em Morungava. No local, era mantido um campo de paintball que serviria com uma espécie de área para treinamento de tiro da facção a qual está ligado. Com ele, foram apreendidos veículos, armas e munições. Cumpria pena na Penitenciária Estadual de Porto Alegre. Em novembro de 2017, foi condenado a 20 anos e seis meses de reclusão por um homicídio cometido em 11 de junho de 2012, no qual foi morto um homem que teria uma dívida do tráfico de drogas na região de atuação de Nego Cris. No total de condenações, acumula 38 anos e 10 meses de pena, dos quais já cumpriu cinco anos e quatro meses. Deve permanecer na cadeia até agosto de 2053.

Diogo Dutra Cachoeira, o Sadol, 35 anos
Suas condenações, por roubo, tráfico de drogas e homicídio qualificado, somam 57 anos e seis meses de pena, dos quais já cumpriu seis anos e quatro meses. Em março de 2018, foi condenado a 38 anos de reclusão pela execução de dois homens, cometida em 9 de outubro de 2014, no bairro Itu Sabará. Tem pena a cumprir até abril de 2071.

Emerson Alex dos Santos Vieira, o Romarinho, 31 anos
Por condenações em cinco processos – porte ilegal de arma, falsificação de documento, tentativa de homicídio qualificado e tráfico de drogas –, soma 24 anos e nove meses em penas. Seu tempo de permanência na cadeia só se encerra em agosto de 2035.

Giordany Bonocore da Silva, o Jogador, 24 anos
Com condenações por porte ilegal de arma, tráfico de drogas, homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado, acumula 39 anos e oito meses de pena. O término da pena está previsto para março de 2052. Jogador estava recolhido na Penitenciária Estadual de Arroio dos Ratos.

Ivan Richetti, o Carreta, 42 anos
Com 19 condenações judiciais – por furto, roubos, tráfico de drogas, receptação e tentativa de homicídio –, tem o segundo maior tempo total de pena entre os transferidos, com 110 anos e oito meses de prisão, dos quais já cumpriu 17 anos e seis meses. O tempo das sentenças só termina em abril de 2113.

Leandro Ribeiro Pereira, o Bazilio, 33 anos
Com uma condenação por tráfico de drogas, tem 11 anos e três meses de pena, dos quais já cumpriu quatro anos e nove meses.

Liomar Antônio de Oliveira, o Tatinha, 35 anos
Suas condenações por roubo, homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado somam 74 anos e três meses de pena a cumprir, até agosto de 2088. Estava recolhido na Cadeia Pública de Porto Alegre.

Luis David Amaral de Souza, o Esbile ou Smile, 39 anos
Com duas condenações por homicídio qualificado e tráfico de drogas, Smile acumula 68 anos e quatro meses de pena, dos quais já cumpriu seis anos e sete meses. O tempo de suas sentenças só vai se esgotar em novembro de 2081. Estava recolhido na Penitenciária Modulada Estadual de Montenegro.

Luiz Fernando de Oliveira Jardim, o Rato, 33 anos
Condenado a 16 anos e cinco meses de prisão por tráfico de drogas, dos quais já cumpriu três anos e 10 meses. Tem data de término do cumprimento da sentença prevista para setembro de 2032. Estava recolhido na Cadeia Pública de Porto Alegre.

Marcio Fabiano de Carvalho, o Marcio Gordo, 40 anos
Já esteve segregado no Sistema Penitenciário Federal em outras duas oportunidades, mas, ao retornar, reassumiu posição de mando na organização criminosa. Com nove condenações, por roubo, porte ilegal de arma, homicídio qualificado, tráfico de drogas e receptação, acumula 73 anos e cinco meses de pena, dos quais já cumpriu 22 anos e oito meses. O término do cumprimento de reclusão está previsto para novembro de 2070.

Marizan de Freitas, o Maria, 32 anos
Soma 38 anos e três meses de pena, dos quais já cumpriu seis anos e cinco meses, com término do cumprimento previsto para dezembro de 2051. Tem condenações por tráfico de drogas e tentativa de homicídio.

Michel de Souza da Silva, o Michelzinho ou Miuk, 33 anos
Acumula condenações por porte ilegal de arma, roubos, dois homicídios qualificados, tráfico de drogas e organização criminosa, com uma pena total de 65 anos e três meses, dos quais já cumpriu sete anos e cinco meses. A previsão para término do cumprimento das sentenças é dezembro de 2077.

Rogério Soares, o Véio, 37 anos
Acumula 99 anos e dois meses em penas, dos quais já cumpriu 20 anos e quatro meses. A previsão para término do cumprimento das penas é em setembro de 2078. Ele tem condenações por falsificação de documento, receptação, homicídio qualificado, tentativa de homicídio qualificado, roubo e tráfico de drogas.

Tiago Rafael Leges Ferreira, o Tiago Mochilão, 34 anos
Acumula o maior tempo total de pena entre os transferidos: são 137 anos e 11 meses por 12 condenações. Mesmo já tendo cumprido 10 anos e 10 meses de reclusão, a previsão é de que o esgotamento das sentenças só ocorra em 2147. Tem uma condenação por furto, cinco por tráfico de drogas e seis por roubo.

Vladimir Cardoso Soares, o Xu, 50 anos
Investigado por homicídios, estava com prisão preventiva decretada e foragido havia mais de um ano quando foi capturado, em agosto do ano passado, em Laguna (SC). Xu foi indiciado por envolvimento no assassinato dos policiais militares Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó, ocorrido em 27 de julho de 2019, durante uma ação de patrulhamento no Beco da Bruxinha, próxima à Rua Paulino Azurenha.

Wagner Wilian Domingues da Cruz, o Vavá, 26 anos
Foi indiciado por envolvimento na morte dos policiais militares Rodrigo da Silva Seixas e Marcelo de Fraga Feijó, ocorrido em 27 de julho de 2019, durante uma ação de patrulhamento no Beco da Bruxinha, próxima à Rua Paulino Azurenha.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí/Foto: Rodrigo Ziebell/SSP
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