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Morre, aos 79 anos, Carlos Sperotto, presidente da Farsul

23 de dezembro de 2017
Morreu neste sábado (23) o presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Carlos Rivaci Sperotto, aos 79 anos. O líder ruralista, que estava há duas décadas à frente da entidade, lutava contra um câncer de esôfago desde 2016. Ele deixa a mulher, Mariana, quatro filhos e três netos. O velório se realiza entre as 21h deste sábado e as 11h30min de domingo, na sede da Farsul, em Porto Alegre. Em seguida, o funeral será no Crematório Metropolitano, na Avenida Oscar Pereira.

De personalidade forte e conhecido pela voz tonitruante, Sperotto estava no sétimo mandato seguido como presidente da Farsul, cargo que assumiu em 1997. Antes, de 1991 a 1997, havia sido diretor financeiro da entidade. Ocupava ainda, pela terceira vez, a presidência do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no Estado (Sebrae-RS) e era vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Com a morte de Sperotto, Gedeão Pereira assumirá a presidência da Farsul.

O governador do Estado, José Ivo Sartori, lamentou a morte pelo Twitter:
Meu amigo Carlos Sperotto descansou. Um homem à frente de seu tempo, de posicionamento firme, honesto e íntegro, que deixa um legado inestimável para a Agricultura do Rio Grande do Sul.

O pai de Sperotto, Francisco, era comerciante de mulas na primeira metade do século passado. Fez bom patrimônio nas tropeadas entre o Rio Grande do Sul e São Paulo e, depois, com um armazém de atacado. Com o capital, adquiriu terras. Ao se formar, Sperotto foi para Ijuí, onde o pai morava, para ser professor na área de produção animal no Instituto Municipal Assis Brasil. Dois anos antes de morrer, o pai decidiu, em 1965, partilhar o campo. Aos 27 anos, Sperotto começava a tocar por conta própria uma propriedade rural, a Fazenda Tapera, em Santo Augusto, hoje administrada por filhos.

Começou com a pecuária de corte. Passou para a produção de leite. Como as áreas não eram boas para a produção animal, decidiu trilhar o caminho da agricultura, atividade mantida até hoje, com produção de grãos, grande parte em áreas irrigadas. Milho, soja e trigo são as principais culturas da propriedade, embora mantivesse criação de ovinos de carne e pecuária leiteira.

No comando da Farsul, federação da agricultura mais antiga do país, protagonizou episódios marcados por tensão na luta por interesses dos ruralistas gaúchos. Nos primeiros anos, os embates mais fortes eram com o MST, devido ao período de recrudescimento das invasões de propriedades, e pela regulamentação do plantio de soja transgênica, tecnologia que começou a ganhar o Brasil pelo Rio Grande do Sul. As constantes negociações com Brasília para repactuar dívidas de produtores também foram passagens marcantes de sua trajetória de dirigente de classe quando ainda atuava na área financeira da Farsul.

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