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Mulheres gaúchas de baixa renda trabalham em casa 24 horas por semana

4 de março de 2020

Em referência ao dia internacional da mulher, que ocorre no próximo domingo, a Secretaria Estadual do Planejamento, Orçamento e Gestão apresentou nesta quarta-feira (04), em Porto Alegre, um estudo sobre igualdade de gênero no Rio Grande do Sul. Entre os dados compilados chama atenção as diferenças acentuadas entre homens e mulheres no trabalho em casa. A secretária de planejamento, Leany Lemos explica que os afazeres domésticos são considerados trabalhos não remunerados, como exemplo disso podemos citar desde lavar a louça até cuidar dos filhos e familiares idosos. Neste ponto, a desigualdade é mais gritante ao analisar o critério econômico. Uma mulher gaúcha de baixa renda (com um quarto de salário mínimo per capita) dedica 24 horas e 12 minutos por semana ao trabalho em casa, muitas vezes somada ao horário de trabalho remunerado. O homem na mesma faixa econômica trabalha em casa 14 horas por semana. Os dados são de 2018.

Na faixa entre um quarto e meio salário mínimo per capita, os números caem, e a diferença entre homem e mulher é maior. A mulher gaúcha nessa faixa trabalha em casa 23,7 horas, e para o homem as tarefas domésticas representam menos da metade: 11,6 horas semanais. À medida que as rendas crescem, o trabalho em casa é reduzido, assim como a diferença entre gêneros. Uma mulher no Rio Grande do Sul com renda per capita acima de cinco salários mínimos trabalhou, em 2018, 15 horas e meia, enquanto os homens trabalharam 10 horas semanais sem remuneração. De acordo com a pesquisadora, Daiane Menezes, que apresentou o estudo, o poder econômico influencia, pois as rendas maiores costumam fazer mais refeições fora de casa, podem contratar profissionais para limpar a residência e cuidar das crianças, além de terem acesso a mais tecnologia, como por exemplo lavadora de roupas.

A partir do estudo é possível identificar situações mais críticas e também endereçar políticas públicas que possam impactar os dados e reduzir a desigualdade. Um exemplo disso é a oferta de vagas no ensino infantil, cuja defasagem impede muitas mães de ingressarem no mercado de trabalho. Embora a oferta de matrículas esteja em ascensão desde 2015, segundo o estudo, no ensino infantil, creches e pré-escola, ainda há um déficit considerável a ser reduzido, especialmente para crianças de famílias negras e baixa renda que tem o acesso mais dificultado. A pesquisa apontou que a taxa de matrícula no ensino infantil Estado subiu de 45,2% em 2015 para 51,8% em 2018. No mesmo período, a taxa de matrículas em creches gaúchas subiu de 29,9% para 34,2%.

A secretária Leany Lemos salienta que esse cenário de desigualdade relacionado aos afazeres domésticos é uma questão estrutural na sociedade e salienta que a divisão das tarefas não é colaborar, é uma divisão de trabalho. Leany ressalta que essa desigualdade é também uma questão de saúde, pois o excesso de trabalho para a mulher gera pressão e muito stress e problemas de saúde mental, como a depressão.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí

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