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Mulheres são o futuro da humanidade, diz médico vencedor do Nobel

2 de setembro de 2019
O médico Denis Mukwege em evento em Bogotá. Foto: Raul Arboleda/AFP

Um pronunciamento contundente e grave sobre o uso do estupro como arma de guerra. Denis Mukwege é um médico ginecologista mundialmente reconhecido por seu trabalho humanitário feito na República Democrática do Congo.

Vencedor do Prêmio Nobel da Paz 2018, honraria que dividiu com a ativista pelos direitos humanos iraquiana Nadia Murad, ele foi o conferencista do quarto evento da temporada 2019 do Fronteiras do Pensamento em São Paulo. Numa fala repleta de alteridade que emocionou a plateia, o congolês resgatou a história do seu nascimento e falou sobre a motivação para cursar medicina e a necessidade de empoderar e assegurar direitos e paz a todas as mulheres do mundo.

Fundador do hospital de Panzi, criado em 1999 na cidade de Bukavu, Mukwege é graduado em medicina pela Universidade de Burundi. E, depois de testemunhar a precariedade no atendimento a mulheres, estudou ginecologia e obstetrícia na Universidade de Angers, na França.

De acordo com ele, seu trabalho principal é atuar a favor da vida. “O homem público que me tornei, apesar de tudo, em circunstâncias que não escolhi, é movido apenas por um único objetivo: ser um defensor da vida, estar a serviço dos vulneráveis, fazer e transmitir o bem em um mundo de inversão de valores tomado de assalto pela banalidade do mal”, declarou, iniciando a sua fala.

Na parte final da conferência, o médico fez um chamado a todos os homens, para arregaçarem as mangas e entrarem na arena lutando ao lado das mulheres.

“A mulher é a nossa metade, ela sente o perigo ali onde não percebemos. Ela administra melhor as riquezas do que nós acreditamos e valoriza mais a vida, enquanto nós só pensamos no poder, no dinheiro e no sexo. A mulher não é uma coisa, ela está diante de nós, é o nosso alter ego. Não podemos, sozinhos, enfrentar os desafios da humanidade sem a plena participação das mulheres, seja na luta contra a pobreza, na prevenção e na resolução de conflitos ou na mudança climática. Em todos esses casos, temos a necessidade da participação ativa da mulher.”

Para Mukwege, é urgente repensar os modelos de gestão da sociedade, especialmente o modelo patriarcal, que mostrou os seus próprios limites e carrega sementes da sua própria destruição.

Ele afirmou que as mulheres são o futuro da humanidade e que um mundo melhor e mais justo é possível e está ao nosso alcance, pois campanhas como #MeToo, #BrisonsLeSilence, #NiUnaMAs foram bem-sucedidas.

“Nascer mulher não é uma maldição, pelo contrário, é uma riqueza. Vamos nos colocar ao lado delas para curar o nosso mundo ferido por causa da alienação e da dominação de 50% da humanidade. Existem escolhas que podemos fazer hoje que salvarão nossas próprias vidas amanhã. Essa escolha é a escolha da reparação, é a escolha da justiça, é a escolha da masculinidade positiva. Um mundo sem violência é possível. Um mundo sem violência sexual e de gê nero, sem discriminação racial e religiosa está ao nosso alcance. Comprometamo-nos com essa luta e, assim, daremos um sentido à nossa vida”, finalizou.

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Fonte: Folhaopress

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