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Múmia egípcia de cerca de 2,5 mil anos é identificada em Cerro Largo

30 de maio de 2019
Múmia poderá ser visitada, a partir do mês que vem, na PUCRS — Foto: Édison Hüttner/PUCRS

A cabeça de uma múmia que integra o acervo do Centro Cultural 25 de Julho, em Cerro Largo, foi identificada como de uma mulher egípcia, que viveu há 2,5 mil anos. A múmia de Iret-Neferet estava no musei há mais de 30 anos, sem que ninguém soubesse sua origem.

Segundo o professor Édison Hüttner, que participa do grupo de pesquisadores da PUCRS e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) que estuda a peça, é a primeira descoberta de uma múmia egípcia no Brasil no século 21.

Em 1995, estudiosos da área identificaram a múmia Tothmea, em Curitiba, que está resguardada no Museu Egípcio e Rosacruz. Depois do incêndio no Museu Nacional, no Rio de Janeiro, são os dois únicos exemplares de múmias egípcias conhecidas no país, salienta o professor. A tragédia acabou destruindo seis múmias que haviam sido compradas pela família imperial.

Hüttner conta que encontrou a cabeça quando esteve no Centro Cultural, em 2017, em busca de materiais para outra pesquisa, mas quando estava por ali, viu a cabeça e pensou que poderia ser uma múmia, conta ele. O pesquisador comenta que viu semelhanças entre a cabeça e outras múmias que ele havia visto no Museu do Louvre, em Paris, e no Museu do Vaticano. Ao iniciar a pesquisa, começou a levantar informações que possibilitaram a confirmação da origem.

O primeiro passo da pesquisa foi submeter a cabeça a uma tomografia, exame que já ajudou a identificar outras peças históricas no estado, no Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul. “Vimos ali um detalhe especial, que vendo ela de fora não era possível enxergar”, diz o professor Hüttner, sobre a constatação de que foi colocado no crânio um olho artificial, como faziam os egípcios antes de embalsamar seus mortos.

Tomografia revelou olho de rocha da múmia — Foto: Reprodução

A peça é composta por rocha e seda. “Ela fica iluminada, como se fosse vidro”, diz. A descoberta deu origem ao nome da múmia: Iret-Neferet significa “olho bonito” em egípcio antigo. O professor comenta que evidências, como as faixas características das múmias egípcias e um buraco acima do nariz, usado para remover o cérebro, já demonstravam a origem da cabeça.

A múmia é de uma mulher de meia idade, com aproximadamente 40 anos, descoberta possível através da análise de um dente encontrado na cabeça, como explica o professor.

O dente foi removido e enviado a um laboratório nos Estados Unidos, que reconstituiu o que seria a arcada dentária da mulher egípcia, e calcular a idade aproximada dela. Iret-Neferet viveu entre o final do Período Intermediário III (1070-712) e o início do Período Tardio (712-332 a.C.) do Egito.

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Fonte: G1
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