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“O que você faz com R$375?”, questiona mãe após redução do auxílio emergencial

8 de junho de 2021

Geladeira praticamente vazia, filhas precisando de roupas novas e muitas dificuldades financeiras: o abismo da desigualdade social se agrava ainda mais com a redução do auxílio emergencial. Mães solteiras, que antes recebiam R$1200, passaram a contar com apenas R$375, uma redução de mais de 70%.

Vivenciando uma realidade um tanto quanto dolorosa para a maioria das mães solo do país, Eliane Fátima da Rosa Roque, moradora do Bairro Assis Brasil, tenta se equilibrar na corda bamba da falta de oportunidades e suprimentos básicos. Mãe de duas meninas, de 15 e três anos, e avó de uma menina de apenas 1 ano e 3 meses, ela encontra dificuldades de inserção no mercado de trabalho, por ter que cuidar da pequena, e viu uma das únicas fontes de renda da família, reduzir significativamente: o auxílio emergencial.

Eliane mora com a filha, de três anos, em uma casa alugada. Antes da redução, ela conseguia manter o pagamento do aluguel, agora, precisa contar com a ajuda avó, que custeia também a água e a luz. “Minha avó paga as contas e ganho um ranchinho do  CRAS. Antes eu conseguia pagar o aluguel, água e luz, mas com essa redução quase nada da para fazer, ainda mais quando se tem uma criança de 3 anos”, diz. 

Para Eliane, o mais difícil é ver as filhas pedindo algo, e não ter recursos para atendê-las. “Daí você com R$375 compra gás, que está um absurdo o valor e ainda tem leite e as outras coisas que criança não fica sem. Carne só de frango, bife empanado e ovos”, lamenta.

Para auxiliar nas despesas, Eliane revende materiais recicláveis. “Não tenho vergonha em te falar que guardo os litros descartáveis e vendo, porque moro quase em frente a reciclagem”. Todo o esforço visa um único objetivo: garantir que as filhas e a neta tenham pelo menos as refeições básicas. 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta terça-feira que o governo deve estender a rodada de pagamentos do auxílio emergencial aos mais vulneráveis por mais “dois ou três meses”, com a expectativa de ganhar tempo para o avanço da vacinação contra a covid-19.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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