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MANCHETES

Oficinas clonam celulares roubados e desbloqueiam aparelhos para revenda

29 de janeiro de 2018
Capaz de burlar as novas regras anunciadas pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para tirar do ar celulares irregulares, um novo esquema de fraude para liberar o uso de aparelhos bloqueados por roubo está sendo usado por criminosos. Oficinas especializadas estão "clonando" os telefones ilegais, que passam a assumir a identidade de um aparelho legal, e de igual modelo.

O esquema foi constatado em oficinas especializadas de Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo. Na capital gaúcha, um técnico dono de loja em uma galeria se dispôs a desfazer dois tipos de bloqueio: conta Google – para os modelos que usam sistema operacional Android – e IMEI, uma espécie de uma espécie de "chassi", único para cada aparelho.

No primeiro, os criminosos conseguem desvincular um aparelho do e-mail do proprietário, liberando aplicativos para serem utilizados por outro usuário. A outra fraude, mais grave, consiste em "clonar" um celular bloqueado. Assim como acontece com carros roubados, ladrões encontraram uma forma de trocar o código de fábrica dos smartphones. Assim, o IMEI bloqueado pela operadora dá lugar a outro, sem restrições. O "serviço" completo sai por R$ 200.

A adulteração de IMEIs também é oferecida em uma loja do Pop Center, o camelódromo de Porto Alegre. Por R$ 120, ele prometeu trocar o serial bloqueado. Para testar o esquema, a equipe da RBS TV fez o bloqueio de um dos celulares roubados de uma mochila, durante a série de reportagens que abordou o problema. Depois, o repórter cinematográfico Glaucius Oliveira encomendou o serviço e gravou tudo com uma câmera escondida.

Em uma hora, o homem devolveu o aparelho, que passou a funcionar com o IMEI pertencente a outro telefone, de igual modelo. Assim, o telefone roubado, que antes constava como "impedido" em consulta no site da Agência Brasileira de Telecomunicações, passa a figurar no portal sem qualquer tipo de restrição.

"O IMEI sim foi verificado por nós, ele é um IMEI normal, sem nenhum registro quanto a roubo ou furto ou perda. É alguma coisa que merece uma atenção, mas que não é corriqueira, é um fato isolado", diz Juarez Quadros, presidente da Anatel.

A fraude coloca em cheque um anúncio recente feito pela Anatel, que pretende tirar do ar, a partir de maio, 40 milhões de celulares não homologados ou que utilizam IMEIs fraudados. Isso porque o novo código inserido no telefone da reportagem não deixaria de sair do ar, uma vez que não apresenta restrições no sistema da agência. É como se fosse um celular legal.

"Após comprovarmos que é possível clonar o número de IMEI, significa que o mecanismo atual implementado pela Anatel não é eficiente para inibir que aparelhos roubados voltem a operar normalmente na rede de telefonia. É necessário aprimorar o sistema de verificação dos números de IMEIs conectados na rede, pois somente dessa forma será possível inutilizar os aparelhos celulares", afirma Ronaldo Prass, especialista em tecnologia.

Responsável pelas concessões de lojas no Pop Center, a secretaria de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de Porto Alegre disse que, em operação recente, nada de irregular foi encontrado na loja que fez o desbloqueio do celular e que depende de investigação policial para punir o concessionário envolvido na fraude.

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