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Pesquisa indica que existem o dobro de casos de covid-19 no Estado

1 de julho de 2020

O Rio Grande do Sul tem aproximadamente mais de 53 mil pessoas com coronavírus, aponta estudo do Governo do Estado em parceria com a Universidade Federal de Pelotas (UFPel). A pesquisa estima que existe um caso a mais para cada caso que é notificado no Estado, embora na comparação com as fases anteriores, os casos subnotificados estão caindo. Na última pesquisa, eram dois casos a mais para cada caso confirmado. De acordo com o estudo, existe um caso de covid-19 a cada 214 gaúchos. O índice de prevalência do vírus identificado subiu mais que o dobro desde a última pesquisa, realizada a um mês. Os dados indicam que 0,47% da população do Estado desenvolveu anticorpos, contra em média 0,2% apontado nos dois últimos levantamentos. Pela margem de erro, a prevalência fica entre 0,29% e 0,71%, e o número de casos de coronavírus pode chegar até 81.059 ou ser no mínimo 32.891. Em relação aos índices de letalidade, a partir dos casos estimados pelo estudo, o número no Estado seja a metade do que o apresentado a partir dos casos notificados. A pesquisa aponta que a letalidade seja de 1,1%.

Os resultados foram divulgados na tarde desta quarta-feira (01º) em transmissão ao vivo pelas redes sociais, com a presença do governador Eduardo Leite. Esta foi a quinta rodada de testes aplicados pela pesquisa no Estado e a primeira da segunda fase do estudo, que desta vez irá repetir a testagem uma vez por mês. Na fase anterior, a pesquisa era realizada quinzenalmente. Foram aplicados 4.500 testes rápidos, entre os dias 26 e 28 de junho em nove cidades do Estado: Ijuí, Porto Alegre, Canoas, Caxias do Sul, Santa Maria, Santa Cruz do Sul, Pelotas, Passo Fundo e Uruguaiana, que representam somadas 31% da população gaúcha. A pesquisa representa aproximadamente a realidade de duas semanas atrás. O teste rápido aplicado identifica os casos positivos a partir da presença de anticorpos ao coronavírus, mas pode apresentar falsos negativos, caso a pessoa testada tenha se contaminado e ainda não apresentado anticorpos, mesmo que esteja assintomática.

Foram identificados 21 testes positivos nesta fase da pesquisa, 3 deles foram em Ijuí. Santa Maria foi a única cidade que não teve testes positivos e Caxias do Sul foi o município com mais testes positivos com quatro ao todo. Porto Alegre e Canoas tiveram dois testes positivos cada. A pesquisa também entrevistou os testados a respeito do grau de distanciamento social. Ijuí, que na fase anterior apresentou o maior índice de pessoas que saiam de casa diariamente, viu aumentar o distanciamento. Dos 500 testados na colmeia do trabalho, 36% disseram que saiam todos os dias, contra 38% do estudo anterior. Aqueles que responderam que saiam apenas para atividades essenciais foram mais da metade: 52,6% e 11,4% afirmaram que não deixavam suas residências. A cidade que menos adere ao distanciamento apontada na pesquisa foi Caxias do Sul, com 40% dos entrevistados saindo de casa diariamente, e Pelotas, com 25,4% é o município com mais adesão. Porto Alegre também apresenta grande adesão ao distanciamento, com 28,6% dizendo que saem diariamente, 61,2% afirmando que saem apenas para atividades essenciais e 10,2% garantindo que não deixam suas moradias.

O estudo coordenado pela UFPel conclui com uma recomendação de ampliar a testagem feita pelo governo do Estado e também realizar busca ativa, que consiste em rastrear o contágio antes da pessoa adoecer. Questionado sobre defender um lockdown (confinamento total), o reitor da UFPel, Pedro Hallal explicou que a recomendação não se aplica ao Rio Grande do Sul, pois se fosse uma ilha não seria necessária medida tão extrema em razão do Estado ter tratado o vírus de forma diferenciada na comparação com outros estados. No entanto, o reitor explica que o Brasil tem uma curva muito ascendente de casos e para reduzir seria necessário um lockdown em todo o país por 15 dias. O mesmo estudo replicado no Brasil indicou uma prevalência de 3,1% da covid-19 na população, ou seja, seis vezes mais do que o Estado. Hallal completa que não é recomendável o Rio Grande do Sul fazer um lockdown desconectado do país, e que caso alguma região apresente avanço do vírus acima da média estadual, o modelo de distanciamento controlado já prevê a iniciativa em uma eventual bandeira preta. A próxima fase da pesquisa irá testar os gaúchos entre os dias 24 e 26 de julho, e será repetida em agosto e setembro.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí