Busca rápidaX

MANCHETES

Pessoas relatam bênçãos e curas após orar para Bernardo Boldrini, um dos casos é de Ijuí

28 de novembro de 2019

O menino que se tornou símbolo de abandono familiar e de desamor e foi assassinado aos 11 anos, está atraindo manifestações de fé e sendo apontado como responsável por curas ou tratamentos de saúde com sucesso.

Desde outubro, pelo menos duas cartas chegaram a Três Passos noticiando bênçãos que teriam sido obtidas por meio de pedidos e orações a Bernardo Uglione Boldrini. No túmulo do menino, em Santa Maria, há pelo menos uma placa em agradecimento por “graça alcançada”. Os casos descritos nas cartas são de Ijuí e de Curitiba, no Paraná.

 Para a Igreja, as manifestações que estão ocorrendo não surpreendem.
— Quando aconteceu o crime, chegamos a conversar que isso podia acontecer. Bernardo era uma pessoa do bem e que buscava Deus. Sofria sem reclamar. Parecia sempre feliz — disse a GaúchaZH o cônego Carlos Alberto Pereira da Silva, chanceler do bispado da diocese de Frederico Westphalen.
Conforme o cônego, assim que as notícias chegarem oficialmente ao conhecimento do pároco local, será aberto o procedimento que leva à investigação dos casos.
O primeiro registro é um relato de que Bernardo apareceu em sonho para a aposentada Rosa de Vasconcellos, 68 anos, e a curou de uma doença nos olhos que a fazia enxergar apenas sombras. Em uma folha de caderno escolar, a aposentada, de Ijuí, detalhou seu drama. A carta foi endereçada a familiares de Bernardo:
— Eu comecei a ficar cega dos olhos, eu não enxergava quase nada, precisava fazer uma aplicação nos olhos, mas ia demorar. Desesperada, não sabia mais o que fazer. Uma noite fui dormir e sonhei que o menino Bernardo sentou do lado da cama e mexeu nos meus olhos. E acho que ele veio me curar, porque eu comecei a enxergar novamente. Eu fiquei muito feliz e tenho certeza de que foi o anjo Bernardo que me curou — diz trecho do documento.

Na carta ela ainda explicou que precisava contar sobre a cura. E finalizou: “Desculpe as letras e os erros, mas é muito importante. Ele é um anjo, posso apostar. Obrigada”.

A aposentada afirma que foi acometida de glaucoma e outra doença que não lembra o nome. Precisava fazer injeções, mas até outubro, quando escreveu a carta, não havia iniciado o tratamento.

— Eu melhorei, voltei a enxergar depois do sonho. Mas agora começou o tratamento. Já fiz a primeira injeção só para garantir. Acordei feliz naquele dia (ela acredita que o sonho ocorreu em meados de junho), e fiz uma promessa de que faria novena e rezaria por ele e também que iria divulgar o que me aconteceu. Até agora parece que sinto ele do meu lado — diz a aposentada.
Ela então fez a carta e entregou para um amigo que ia para Três Passos. Essa pessoa levou o documento para os Correios da cidade. A carta acabou direcionada para o endereço mais conhecido de Três Passos quando o assunto é Bernardo: a loja de Juçara Petry. Era a família de Juçara que acolhia Bernardo, alimentava, dava roupas, ajudava nos temas e trabalhos escolares, dava amor e se fazia presente em momentos como aniversários e outras comemorações.

Logo depois, também em outubro, chegou para Juçara uma correspondência de Curitiba. Dentro do envelope, além de um breve recado, havia um santinho com a “Oração ao Menino Bernardo”. A história por trás da mensagem envolve mais do que apenas uma graça obtida. A remetente é uma assessora jurídica de 43 anos que pediu para não ter o nome divulgado para manter a “intimidade de sua crença”:

— Era um momento bem difícil, um irmão, que já fizera anos atrás 13 cirurgias em função de um acidente, precisava fazer nova operação e três médicos já haviam se negado devido ao risco. Então, uma noite fui à igreja e, na entrada, havia um santinho com a Oração do Bernardo. Eu peguei um. Desde que conheci a história do Bernardo, do sofrimento dele, aquilo me tocou muito. Acompanhava sempre pelo noticiário. E ele passou a ser uma presença. Às vezes, quando não estava bem, conversava com ele, pedia calma e discernimento, e realmente ficava melhor. Naquela noite, na igreja, pedi que ele intercedesse junto a Deus pelo melhor ao meu irmão.

Poucos dias depois, a mulher disse que o irmão telefonou avisando que uma médica do SUS faria a operação, contrariando os temores de médicos particulares. A cirurgia foi feita e o homem está em plena recuperação:

— Eu prometi ao Bernardo que faria um milheiro (mil cópias) do santinho que eu havia pego para distribuir em mais igrejas. E já fiz isso. E também uma placa para colocar no túmulo dele, e isso pretendo cumprir até o próximo aniversário dele. Vou ao Rio Grande do Sul levar.
Sobre ter enviado santinhos para Três Passos, a assessora jurídica contou ter mandado para várias pessoas que tiveram contato com Bernardo ou com o caso: a delegada, um promotor, a juíza, uma psicóloga amiga da família do menino, além de outros. E sobre a cartinha para Juçara, explicou, com a voz embargada pelo choro:

— Foi para dar um certo conforto para ela, de que o Bernardo mesmo não estando presente ele continua ajudando as pessoas. Aquele menino que todos falam que era doce, meigo, ele continua vivo. E eu sou muito grata a ele. Sempre que eu puder vou mandar flores, vou ir ao túmulo. A graça que recebi foi muito grande. Poderia ter perdido meu irmão nessa cirurgia, é meu único irmão. Até hoje eu pego o santinho e converso com o Bernardo quando não estou bem.

Compartilhar
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
Fonte: GaúchaZH. Foto: Ronald Mendes e Arquivo Pessoal

Acompanhe nas Redes

by @TwitterDev
error: Conteúdo protegido!