Busca rápidaX

MANCHETES

Plebiscito para venda de estatais é debatido em audiência pública na Assembleia

19 de março de 2019
Servidores das estatais protestaram por não terem espaço na audiência pública

Na manhã desta terça-feira (19), a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa promoveu uma audiência pública restrita para debater o projeto de emenda à constituição encaminhado pelo executivo, que pretende eliminar a exigência de plebiscito para a privatização de estatais no Rio Grande do Sul. A audiência foi restrita porque poucas pessoas tiveram o acesso liberado para acompanhar os debates no Plenarinho, onde ocorrem as sessões da comissão. O deputado Jeferson Fernandes do PT lamentou o fato da audiência ter sido realizada em um espaço tão pequeno, mesmo com o Teatro Dante Barone a disposição. A audiência pública começou às 9h30min e tinha previsão de 2 horas, no entanto, o presidente da CCJ Edson Brum do MDB estendeu a duração, encerrando os debates ao meio-dia e dez.

A reportagem da Rádio Progresso não teve acesso ao espaço onde ocorriam os debates. Servidores da Assembleia impediram a entrada no local. A reportagem foi orientada a acompanhar a audiência por um telão no Teatro Dante Barone, que reproduzia ao vivo o canal do youtube da Assembleia. No mesmo local, centenas de servidores da CEEE, Sulgás e CRM acompanhavam as discussões e protestavam contra a privatização. Mordaças pretas foram distribuídas e os manifestantes colocavam sobre a boca, em protesto por não terem espaço para debater.

Durante a audiência pública foram destinados 20 minutos para quem é contra e quem é a favor da matéria se manifestarem. Logo depois, o microfone foi aberto a quem estivesse no plenarinho para se manifestar por 5 minutos. Representando o governo do Estado, o secretário do meio-ambiente e infraestrutura, Artur Lemos Júnior, falou sobre o tema. Dezenas de deputados e representantes de entidades sindicais e servidores das estatais também tiveram espaço para falar. Embora a comissão analise a matéria pela constitucionalidade e legalidade ou não, o debate se estendeu para o mérito e pelo viés político. Parlamentares a favor ressaltavam que a questão legal e constitucional está contemplada no projeto e manifestavam a favor do mérito, argumentando que o debate político seja feito em outro momento. Ainda assim, eles argumentavam por vezes de que esta era uma das soluções para a crise do Estado. Deputados contrários a matéria relembraram entrevistas do governador Eduardo Leite, quando ainda era candidato, em que ele dizia ser a favor de realizar o plebiscito em 2019, citando que isso se tratava de estelionato eleitoral. O secretário Artur Lemos ao encerrar a audiência destacou uma entrevista em que Leite iria tentar a retirada do plebiscito, e caso não conseguisse, buscaria consultar a população.

A presidente da Sindicato dos Eletricitários do Rio Grande do Sul (Senergisul), Ana Maria Spadari, que representa os trabalhadores da CEEE, criticou o desconhecimento de muitos deputados que falaram na audiência. “Chegamos ao ponto de deputados disserem que a CEEE não está em todo o Rio Grande do Sul. Eles não conhecem a CEEE? A CEEE está presente em todos os municípios do Rio Grande do Sul. É inacreditável isso”, destacou. Spadari salienta que a CEEE é viável e tem condições de passar pela crise. Ela questiona ainda o fato do governo divulgar a dívida da CEEE com o ICMS. “O povo tem que saber todas as empresas que devem ICMS, nós temos que discutir todas no mesmo nível. Porque somente a CEEE, governador? É só a CEEE que deve ICMS? Os recursos que eles dizem que é pra segurança, saúde e educação é o mesmo discurso do Brito em 96 e 97″, reiterou. A presidente da Senergisul ainda completou que a CEEE não corre risco de perder a concessão e não tem motivo pra isso. Segundo Spadari, está é uma decisão política e a empresa só perde a concessão se Leite quiser que isso aconteça.

Representantes da Sulgás e da CRM também se manifestaram ao microfone na audiência pública. Em relação a empresa de gás, foi rebatida uma informação divulgada pelo governo de que a Sulgás dava prejuízo, o que não seria verdade. E por sua vez, a Companhia Rio-Grandense de Mineração foi destacada pelo fato de que vende a tonelada de carvão com preço baixo para as termelétricas trabalharem com um custo mais baixo. A deputada estadual do PDT, Juliana Brizola, se manifestou ao final da audiência pública e questionou a possibilidade de uma estatal chinesa ser uma das principais interessadas a comprar a administração da CEEE. A parlamentar chamou a atenção para a contradição de quem é a favor da privatização, mas é contra o comunismo, e mesmo assim, aprova o investimento da China aqui. “E eles ainda vão comemorar fazendo arminha”, ironizou.

Compartilhar
  • 85
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
    85
    Shares
Fonte: Rádio Progresso de Ijuí

Acompanhe nas Redes

by @TwitterDev
error: Conteúdo protegido !!!