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Prefeitura de Cruz Alta reduz investimento público para o carnaval

25 de janeiro de 2018

Parcerias com a iniciativa privada. Criatividade. Manutenção da maior festa popular do país. Estes são alguns dos motivos que levam a Administração Municipal de Cruz Alta a investir no fomento a cultura e ao Carnaval. Mesmo com a crise financeira que acomete o município, em 2017 a dívida municipal totalizou R$ 23 milhões segundo dados do Tribunal de Contas do Estado (TCE), a força, a história do Carnaval de Cruz Alta e o que ele gera de dividendos (movimentação em restaurantes, hotéis, lojas) levaram a Administração Municipal a encontrar soluções para voltar a realizar o evento que reúne 20 mil pessoas entre ensaios, festas nas quadras das cinco escolas, escolhas das cortes municipais e intermunicipais e desfiles.

Anteriormente, em 2015, quando do último desfile com competição o governo da época investiu R$ 800 mil no evento incluindo aí repasses para a Liga das Escolas de Samba de Cruz Alta (Lesca) e infraestrutura (arquibancadas, segurança, som, divulgação, etc). Em 2014 a Prefeitura custeou todo o Carnaval. Foram R$ 1.400,000,00 (hum milhão e quatrocentos mil reais). Em 2018 o município irá arcar com R$ 250 mil relativos ao Termo de Fomento, investindo no espetáculo que é produzido pelas Escolas, além de incentivar o turismo e o desenvolvimento econômico. Uma redução significativa, explica o prefeito Vilson Roberto.

Pela primeira vez haverá parceria com a iniciativa privada, através da empresa Celeiros Feiras e Eventos. Além disso, está sendo encaminhado convênio com instituição pública estadual. Se somarmos os custos dos dois maiores eventos do município que contam com a participação efetiva do Poder Público, Coxilha Nativista e Carnaval, teríamos que desembolsar quase R$ 1,2 milhão. Mas como sempre apostamos na aprovação de projetos junto a Lei Rouanet e Lei de Incentivo a Cultura, e no diálogo com os setores empresariais, estamos conseguindo diminuir o gasto municipal, ressalta ele.

Terceiro maior Carnaval do Estado

Hoje o Carnaval de Cruz Alta é considerado o terceiro maior do Estado, pela crítica especializada, atrás apenas de Porto Alegre e Uruguaiana. Grandes nomes abrilhantaram o evento, nos últimos anos, defendendo as cores das agremiações cruz-altenses. O interprete Tinga atualmente na Unidos da Tijuca, que foi campeão em 2013 pela Unidos de Vila Isabel também do Rio de Janeiro (RJ), esteve na Unidos do Beco em 2014. O compositor Gustavinho Oliveira premiado no maior carnaval do País, é o autor do samba da Unidos do Beco neste ano, e Kizzy Pereira, porta bandeira da Imperatriz Leopoldinense também do RJ, foi a condutora do pavilhão da Gaviões da Ferrô em 2015.
 

Para este ano nomes como Vinicius Machado, interprete campeão da Imperadores do Samba em Porto Alegre ano passado, da Leandro de Itaquera de São Paulo e integrante do carro de som da Acadêmicos do Grande Rio no RJ, mais uma vez estará à frente do carro de som da vermelho e branco da Zona Norte. Fábio Ananias, que foi o microfone um de Bambas da Orgia a maior campeã do carnaval de Porto Alegre durante os mais recentes desfiles, e hoje está na Unidos de Vila Isabel de Viamão, deve ser novamente a voz da Unidos de São José. Renan Ludwig, hoje nos Bambas da Orgia, ex-Estado Maior da Restinga e que esteve na Unidos do Beco, será o puxador do samba da Acadêmicos do Sol. Destaques estaduais e nacionais que junto com as comunidades das Escolas garantem um espetáculo de alto nível.  
 

Everton Pugliezzi, presidente da Lesca, diz que o Carnaval cruz-altense atingiu um patamar de destaque nacional. Hoje as cinco Escolas possuem relações com vários Carnavais e festas populares. De Porto Alegre a Parintins. Nosso desfile traz para cá a região e o Estado. O público assiste em uma noite música, dança, teatro, em um espetáculo só. É uma das mais genuínas expressões da cultura. Sabemos por quais dificuldades financeiras que o município passa, situação que não foi este governo que criou. Este, aliás, está resolvendo. Por isso o compromisso das Escolas aumenta e a responsabilidade também, afirma ele.

Recurso para a Cultura e para a cidade

O valor aportado a Lesca, através do Termo de Fomento, sai do orçamento da Secretaria de Cultura e Turismo. A secretária de Cultura e Turismo Laura Durigon Ajala afirma que boa parte do recurso repassado a Lesca retorna ou fica na cidade. Muitos dos prestadores de serviços das Escolas são daqui caso de adereçistas, serralheiros, escultores, alegoristas, músicos, entre outros. O comércio também tem vendas incrementadas comercializando desde balões para as torcidas no ginásio, até ferro, madeira, tecido e isopor. Um dinheiro que gira na cidade, um evento que emprega muita gente, gera oportunidades para quem comercializa bebidas e alimentos. Um Carnaval com muita força, conclui ela.

O representante da Celeiros, Daniel Fabiano dos Santos, ressalta que a intenção é de que o maior número de pessoas contratadas para trabalhar, assim como empresas para serviços terceirizados, sejam de Cruz Alta.

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