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Respirador mecânico é adaptado para atender até quatro pacientes ao mesmo tempo

25 de março de 2020
Emmanuel Rath Bonazina, Marcio Ramos Laguna e Andre Hoerbe Bacchin ao lado do respirador adaptado — Foto: Equipe de Fisioterapia/Arquivo Pessoal

Preocupados com o avanço da Covid-19 no Rio Grande do Sul, o médico Emmanuel Rath Bonazina e os fisioterapeutas Marcio Ramos Laguna e Andre Hoerbe Bacchin se uniram para criar uma solução que ampliasse a capacidade de atendimento em Unidades de Terapia Intensiva (UTI): uma adaptação nos respiradores capaz de atender até quatro pacientes com um único aparelho.

De acordo com boletim divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde nesta quarta-feira (25), são 112 o número de casos confirmados de coronavírus no Rio Grande do Sul e uma morte.
  
De olho em como outros países estão lidando com a pandemia, os profissionais perceberam que a falta de respiradores é um dos problemas na hora de enfrentar o coronavírus. Envolvidos com a questão, os profissionais do Hospital Nossa Senhora das Graças, de Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre, encontraram em um estudo da Universidade de Michigan, dos Estados Unidos, a solução.

O estudo, publicado em 2006, foi desenvolvido tendo como experiência acontecimentos como a tragédia de 11 de setembro e quando parte da Costa do Golfo dos Estados Unidos foi destruída por furacões. Portanto, em momentos onde houve uma alta no número de necessidade hospitalares.
 
Publicado por Greg Neyman e Charlene Babcock Irvin, o estudo fala sobre a adaptação do respirador mecânico que passaria a suportar pelo menos dois pacientes, podendo chegar a quatro em casos de extrema necessidade, e não só um como é de costume. “Porque não tentar? Brasileiro sempre dá um jeitinho”, brinca Emmanuel.
 
O respirador mecânico é usado quando a pessoa perde a capacidade de respirar sozinha, ou seja, quando o cérebro não manda mais esse comando para o corpo. Então, o aparelho funciona como um pulmão artificial, respirando e fazendo as trocas gasosas pelo paciente. Um dos sintomas da Covid-19 é a dificuldade respiratória. 

“A gente fez isso com intuito de ajudar, como tem essa falta de respiradores, a gente já está imaginando nosso inverno aqui no Rio Grande do Sul. Sempre aumenta muito a demanda, e mais toda essa situação do coronavírus, a gente teve que começar a correr atrás e ver o que dava pra fazer”, explica.

 Em situações extremas, a adaptação feita Emmanuel, Marcio e Andre poderia quadruplicar a capacidade de atendimento dos respiradores. “O que a gente fez? Nas válvulas que envolvem a inspiração, a gente puxou as mangueiras que são conhecidas como traqueias e colocamos um Y na ponta dessas saídas – na inspiração e na expiração. E nesse Y, a gente puxou mais duas mangueiras para que a gente possa fazer mais um Y, e poder, assim, ventilar dois pacientes, para que eles possam respirar simultaneamente”, explica Emmanuel. A adaptação, até o momento, não foi colocada em utilização pela equipe.

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Fonte: G1

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