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Tragédia na Boate Kiss: sete anos depois, sentimentos das famílias é de tristeza e decepção

27 de janeiro de 2020

27 de janeiro de 2013. Há sete anos, essa data ficou marcada ao estado do Rio Grande do Sul, e ganhou proporções nacionais e internacionais, devido a tragédia que vitimou 242 pessoas na Boate Kiss em Santa Maria.

O incêndio que assombrou o país teve início às 2h3o. Além das centenas de mortes, cerca de 600 pessoas que conseguiram sair vivas da danceteria guardam sequelas, muitas delas, irreversíveis.

Hoje, passados sete anos da tragédia, nenhum responsável está preso e o julgamento dos quatro réus do caso, previsto para começar em 16 de março, está no centro de um imbróglio jurídico.

A Rádio Progresso ouviu nesta manhã o senhor Jorge Malheiros, pai de uma das vítimas, Fernanda Malheiros. Jorge é também um dos responsáveis pelo Núcleo Regional das Missões, que reúne outras famílias em apoio às vítimas e busca por justiça. Segundo ele, depois de tantos anos sem resposta, o sentimento em comum entre as famílias é o de decepção com a justiça.

De acordo com Malheiros, existe claramente um jogo de interesses que envolve o Poder Público e que vem se arrastando no decorrer dos anos, com a clara intenção de prescrever o crime. “Isso significa que vivemos em um País onde a democracia não preza pelo cidadão” ressalta.

Segundo Jorge, hoje não será realizada nenhuma ação especial por parte do núcleo. Ele lamenta ainda, em tom de desabafo, que também não há nenhuma iniciativa por parte da comunidade ou das igrejas em propor uma celebração ou alguma mobilização diferente neste dia.

Sobre o julgamento dos quatro réus envolvidos previsto para inciar em Março, Jorge Malheiros afirma que, na verdade, esse julgamento já começou em 2013, quando o Ministério Público assumiu o papel de juiz e tirou a responsabilidade de outros órgãos, num ato que, segundo ele, blindou diversas autoridades em responder por suas responsabilidades.

Na avaliação de Malheiros, foi a partir deste ato do MP que abriu-se um longo caminho de recursos, com perguntas sem respostas e isenção dos verdadeiros culpados. “Essa é uma grande mancha que vai ficar para sempre na justiça gaúcha, pois não só o Brasil como o mundo esperava uma conduta diferente, com mais esposabilidade, que trouxesse transparência ao coração dos familiares” conclui.

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Fonte: Rádio Progresso de Ijuí
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