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Veneno de cobra brasileira bloqueia Covid-19

25 de novembro de 2021

Uma molécula extraída do veneno da cobra brasileira Jararacuçu (Bothrops jararacussu) bloqueou em até 75% a capacidade do Sars-CoV-2 se multiplicar em células de macaco. O experimento foi realizado por uma equipe de cientistas do Instituto de Química (IQ) da Unesp, em Araraquara, no interior paulista. Os resultados foram publicados na revista científica Molecules.

A molécula em questão é um peptídeo, isto é, aminoácidos que contituem um fragmento de proteína. Os cientistas resolveram investigar sua ação em partículas virais quando perceberam que o composto tinha atividade antibacteriana.

Após realizarem algumas modificações na estrutura da molécula, sua eficiência contra o Sars-CoV-2 foi testada no Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP). Primeiro, células de macaco cultivadas em laboratório receberam o peptídeo e, uma hora depois, o vírus isolado foi adicionado à cultura.

À esquerda estão as células (em azul) infectadas pelo Sars-CoV-2 (em verde) sem nenhum tipo de tratamento; na direita, estão células que foram tratadas com o peptideo,resultando em uma menor replicação viral (Foto: Eduardo Cilli)

Dois dias se passaram e os pesquisadores realizaram cálculos que os permitiram perceber que a reprodução do coronavírus havia parado. Não por acaso, em testes, a molécula se mostrou eficiente contra a enzima PLPro, uma das responsáveis por realizar o processo de multiplicação do vírus causador da Covid-19.

E mais: como essa enzima está em todas as variantes do Sars-CoV-2, é provável que a molécula do veneno de cobra seja eficaz contra as diversas cepas. Com essa vantagem, a expectativa dos pesquisadores é utilizar o peptídeo para criar um medicamento contra o coronavírus, mas que não gere reações adversas.

Os cientistas acreditam estar no caminho certo para um fármaco seguro. “Nós encontramos um peptídeo que não é tóxico para as células, mas que inibe a replicação do vírus”, destaca Eduardo Maffud Cilli, um dos autores do estudo, em comunicado. “Com isso, se o composto virar um remédio no futuro, o organismo ganharia tempo para agir e criar os anticorpos necessários, já que o vírus estaria com sua velocidade de infecção comprometida e não avançaria no organismo”.

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Fonte: Revista Galileu.
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